(324) – OS DOIS CONCERTOS

OS   DOIS   CONCERTOS

            Paulo apóstolo declara que existem dois concertos feitos por Deus para com os homens:“Porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão” (Gl. 4:24). Este foi o primeiro concerto feito por Jeová com o povo de Israel, depois que os libertou do jugo do Egito pelas mãos de Moisés. Este primeiro, foi o concerto da servidão sob a lei de Jeová, com suas maldições: “Serão meus servos, para que conheçam a diferença da minha servidão e da servidão dos reinos da terra” (II Cr. 12:8). A palavra servidão é escravidão, pois Israel nos cativeiros era escravo, e em horrendas condições (Lm. 5:1-16).

A história do concerto de Jeová com Israel aconteceu da seguinte maneira: O povo de Israel estava cativo no Egito por trezentos e trinta anos, que somados aos setenta anos de paz até a morte de José, perfazem quatrocentos anos. Moisés, enviado por Jeová, com a vara milagrosa, libertou Israel, e atravessando o mar vermelho, os levou até o monte Sinai. Moisés subiu o monte e recebeu as duas tábuas da lei, que também Jeová falou do alto do monte aceso em fogo, envolto me trevas e em tempestade (Hb. 12:18-21). Enquanto Moisés, por quarenta dias recebia as tábuas da lei, os estatutos e os juízos, o povo embaixo se entregava à luxuria diante do bezerro de ouro. Moisés então arrojou as tábuas quebrando-as ao pé do monte (Ex. 32:19-24). Estava assim anulado o concerto de Jeová com Israel, antes de começar. O povo peregrinou no deserto quarenta anos. Toda a geração que saiu do Egito morreu no deserto. Sobraram somente os filhos, que Jeová fez herdar a terra de Canaã juntamente com Josué e Calebe (Nm. 14:28-38).

No fim dos quarenta anos, Moisés escreveu o livro de Deuteronômio, o quinto livro do pentateuco (a palavra deuteronômio é grega e quer dizer: segunda lei). Jeová faz um segundo concerto com o seu povo, antes de entrarem na terra prometida (Dt. 29:1-13). Não houve, neste caso, dois concertos, mas a reedição do primeiro, feita quarenta anos antes. Nesta reedição Jeová promete não perdoar infração, e destruir o povo como fez com Sodoma e Gomorra (Dt. 29:18-25)Mas o povo de Israel, levado por Jeová para o Egito, lá bebeu o leite de corrupção e da idolatria no seu nascimento (Ez. 23:1-4). Jeová volta a destruir; agora estavam divididos em dois reinos. Falou Jeová, dizendo: “Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que  disse: Estará ali o meu nome”

(II Rs. 23:27).

Jeová, então faz uma terceira promessa, dizendo por boca de Jeremias que iria trazer Israel e Judá do cativeiro para possuir a terra prometida (Jr. 30:3). “Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; e com eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto juntamente; em grande congregação voltarão para aqui” (Jr. 31:8). “Então a virgem se alegrará na dança, e também os mancebos e os velhos; e tornarei o seu pranto em alegria, e os consolarei, e transformarei em regozijo a sua tristeza” (Jr. 31:13). “Eis que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz Jeová. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz Jeová: Porei a minha lei no seu interior, e escreverei no seu coração; e eu serei o seu deus e eles serão o meu povo” (Jr. 31:31-33). Na carta aos Hebreus lemos as mesmas palavras de Jeremias sobre o novo concerto (Hb. 8:8-10). A maioria dos cristãos tem entendido que este segundo concerto é o de Cristo morrendo na cruz. Pensam que o concerto mencionado na carta aos Hebreus é o do Novo Testamento, e, neste caso, fica provado que Jeová é o Pai de Jesus Cristo. Ora, o concerto que Jeová prometeu pela boca de Jeremias, era o mesmo que Moisés fez no monte Sinai, pois diz: “Porei minhas leis em seu entendimento”. Mas os cristãos morreram para a lei (Rm. 7:6). E na carta aos Hebreus“Porque o precedente mandamento é abrogado por causa de sua fraqueza e inutilidade (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou)” (Hb. 7:18-19).

O concerto de Jeová com o Israel se baseava na obediência do judeu à lei de Moisés. O concerto do Novo Testamento se baseia no sacrifício de Cristo, e não na obediência do homem.

Sobre o novo concerto, está escrito: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas. Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo” (Hb. 8:6-7). O texto de Hebreus é claro: ministério mais excelente, melhor concerto e melhores promessas. O ministério do Velho Testamento é diferente do Novo (II Co. 3:7-9). As heranças dos concertos são diferentes.

Quem dá a última palavra sobre os dois concertos é o apóstolo Paulo: “Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos; um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde a Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós” (Gl. 4:21-26).

O primeiro concerto, segundo Paulo, é o de Agar e Ismael, a mãe segundo a carne e o filho da carne. Os da carne e do primeiro concerto terão como herança a Jerusalém da terra. Porém, os nascidos por promessa, isto é, os gerados pelo Espírito Santo vão herdar a Jerusalém celestial, da qual Sara é figura. Os do primeiro concerto irão herdar pó e matéria, e os da promessa vão herdar o reino dos céus(II Tm. 4:18; I Pd. 1:3-4). Os escravos da carne não podem herdar com os filhos da promessa que são espirituais, e gerados pelo Espírito Santo. Por isso, João, falando do novo nascimento, diz“O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:6). Os filhos da escrava são escravos, mas os filhos da livre são livres.

Paulo continua falando sobre os dois concertos, e diz“Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que era segundo o Espírito, assim é também agora. Mas que diz a escritura? Lança fora a escrava com o seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre. De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre” (Gl. 4:29-31). Se os filhos da escrava não herdam com os do segundo concerto, fica claro que o concerto da lei não faz parte de Jesus Cristo, logo, há dois concertos com dois autores e duas cabeças. Crer no autor do primeiro concerto é invalidar o de Jesus Cristo (Gl. 5:1-4).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira.

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