(237) – PARADOXOS – IV

237- PARADOXOS  – IV

 

Um exame cuidadoso da obra de Jeová no Velho Testamento vai provar que entre Jesus e Jeová não existe o menor traço de unidade. Poderiam ser caminhos paralelos os dois testamentos, mas são caminhos totalmente contrários. O Velho Testamento trata das coisas da carne, e o Novo Testamento só trata das coisas do espírito. Jeremias diz: “as carnes santas se desviaram de ti” (Jr. 11:15). E Jeová declara pela boca de Isaías que vai criar um novo céu e uma nova terra, e que toda a carne irá adorá-lo todos os sábados (Is. 66:22-23). A carne, para Jeová é tão importante, que ele declara: “Eu sou o Deus de toda a carne” (Jr. 32:27).

         No Novo Testamento Jesus diz: “O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (Jo. 6:63). O apóstolo Paulo coloca a carne no plano mais baixo possível, na carta aos romanos: “A inclinação da carne é morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita a lei de Deus, nem, em verdade o pode ser. Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm. 8:6-8). Mais à frente, Paulo diz: “Se viverdes segundo a carne morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis” (Rm. 8:13). E o grande apóstolo dos gentios revela algo profundo: “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção” (I Co. 15:50). É muito difícil conciliar a carne com o Espírito” (Gl. 5:16-22). O conceito de Jeová sobre a carne não se coaduna com o conceito de Jesus, Paulo, João, Pedro, etc.

Para provar de maneira insofismável as diferenças incontestáveis entre as obras do Velho e Novo Testamentos, citaremos alguns pontos:

  1. Se os cristãos, que são o povo de Deus Pai, e discípulos de Jesus, foram enviados a salvar todas as pessoas de todas as nações, por que Jeová enviava o seu povo de Israel para matar e escravizar?  Os textos bíblicos são claros. Jesus ordenou: Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt. 28:19-20). “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo” (Mc. 16:15-16). Agora a ordem de Jeová: “Não houve cidade que fizesse paz com os filhos de Israel, senão os heveus, moradores de Gibeão; por guerra as tomaram todas. Porquanto de Jeová vinha, que os seus corações endurecessem, para saírem ao encontro a Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade deles; mas para os destruir a todos, como Jeová tinha ordenado” (Js. 11:19-20). Sobre Israel, Jeová disse por boca de Jeremias: “Tu és o meu martelo e minhas armas de guerra, e contigo despedaçarei as nações, e contigo destruirei reis. E contigo despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro, o carro e o que vai nele. E contigo despedaçarei o homem e a mulher; e contigo despedaçarei o velho e o moço, e contigo despedaçarei o mancebo e a virgem; e contigo despedaçarei o pastor e seu rebanho; e contigo despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois, e contigo despedaçarei os capitães e os magistrados. E pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia, toda a sua maldade que fizeram a Sião, diz Jeová” (Jr. 51:20-24). O contra-senso é que Jeová havia entregue as nações todas nas mãos de Nabucodonosor, rei dos caldeus, dizendo que fazia isso porque esse rei era cruel e lhe agradava aos olhos (Jr. 27:5-8). Que paradoxo complicado!
  2. Se onde não há lei não há transgressão (Rm. 4:15), e se onde não há lei não há imputação de pecado, como lemos em Rm. 5:13, por que Jeová imputava a povos que não o conheciam, e nem a sua lei, que só foi dada a Israel 700 anos mais tarde? (Gn. 6:7; 19:24-25). Os antediluvianos, e os sodomitas morreram todos sem ter consciência do mal que praticaram. Hoje, quatro mil anos mais tarde, existem sodomitas aos milhões e protegidos por lei humanas, e Jeová não se manifesta? É paradoxal.
  3. No evangelho de Mateus lemos que a tentação procede do diabo (Mt. 4:1). Se as tentações procedem todas do diabo, por que Jeová, o deus do Velho Testamento, tentava os homens? “E aconteceu depois destas coisas, que tentou Jeová a Abraão” (Gn. 22:1). Jeová libertou Israel do cativeiro egípcio, levou o povo ao deserto, e lá o tentou. Assim diz o texto: “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual Jeová teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, e para saber o que havia no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Dt. 8:2).Para complicar o caso, Tiago, na sua Epístola universal, declara: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não poder ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg. 1:13). Ou Jeová não é o Pai, ou a Bíblia não é verdadeira. Como a Bíblia é verdadeira, Jeová não é o Pai, pois Jeová tenta, e é tentado pelo mal, mas o Pai nem pode ser tentado, e a ninguém tenta. Jeová confessa que é tentado em Nm. 14:22.
  4. Jesus desceu do céu, da parte de Deus Pai, para desfazer as obras do diabo (I Jo. 3:8). O diabo é o adversário de Cristo, da Igreja, e dos cristãos, e anda por aí armando laços, “buscando a quem possa tragar” (I Pd. 5:8). Se este é o quadro no Novo Testamento, por que no Velho Testamento Jeová e Satanás trabalhavam em conjunto? Em II Sm. 24:1 lemos que Jeová incitou a Davi. A narrativa do mesmo fato é repetida em I Cr. 21:1, só que desta vez lemos que Satanás incitou a Davi. Como explicar? É fácil. Os dois trabalharam em conjunto. O caso de Jó é semelhante. Numa reunião angelical, Satã estava no meio, quando os filhos de Jeová se apresentavam. Jeová elogiou a fidelidade e perseverança de Jó. Satã sugeriu uma prova dura para Jó. Jeová concordou com a sugestão e entregou o fiel Jó nas mãos perversas de Satã. Os dois se associaram neste projeto maligno (Jó 1:6-12). Nós sabemos que a serpente é figura de Satanás (Ap. 12:9). E o profeta Amós nos revela o seguinte sobre Israel: “E, se se ocultarem aos meus olhos no fundo de mar, ali darei ordem à serpente, e ela os morderá” (Am. 9:3). Como pode Jeová ser parceiro do diabo no Velho Testamento, e no Novo ser adversário? É que o parceiro do Pai é Jesus, e o de Jeová é Satã.
  5. Se Jesus é manso e humilde de coração, como lemos em Mt. 11:29, porque Jeová, no Velho Testamento era prepotente? “Se o homem se não converter Jeová afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado. E já para ele preparou armas mortais, e porá em ação as suas setas inflamadas” (Sl. 7:12-13). “Vivo eu, diz o senhor Jeová, que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós” (Ez. 20:33). Jesus é o príncipe da paz, e Jeová é o príncipe da violência, e da guerra, e das vinganças. O Deus Pai também é Deus da paz e do amor, como Jesus.
  6. Realmente está difícil conciliar as obras dos dois Testamentos, isto é, as obras de Jeová, e as obras de Jesus, que são as obras do Pai (Jo. 10:32; 14:10).

autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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