(093) – OS DOIS TESTAMENTOS

Existem dois testamentos na Bíblia. O Velho Testamento e o Novo Testamento. “Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc.22:20).  “E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório, mas os seus sentidos foram endurecidos, porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2 Co.3:13-14).

O Velho Testamento foi estabelecido por Jeová através de Moisés como mediador. “Para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos nas mãos de um mediador” (Gl.3:19).

O Novo Testamento foi estabelecido pelo Pai através de Jesus como mediador. “E a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala melhor que o de Abel” (Hb.12:24).

O que complica a validade do Velho Testamento é que Paulo não considerou Moisés como mediador entre Deus e os homens. “Porque há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm. 2:5). Com esta afirmação Paulo negou a divindade de Jeová.

Todo testamento envolve os bens do testador. Um filho é herdeiro de seu pai e também participa em vida dos bens. Com a morte do pai ou de outro parente chegado, entra na posse integral da herança. O testamento de Jesus é completamente diferente do de Jeová. No Velho Testamento de Jeová as promessas eram terrenas. O capitão Josué, depois de introduzir o povo na terra prometida, disse: “…vós bem sabeis, que nenhuma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós Jeová vosso deus; todas vos sobrevieram…” (Js.23:14). Sobre a multiplicação do povo no Egito, Estevão disse: “Aproximando-se, porém, o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito” (At.7:17). Todas as bênçãos e promessas tinham como centro Canaã, pois o reino de Jeová é terreno (Ex. 19:6).

Comecemos pelo reino de Jesus Cristo. Quando este mundo foi fundado, já existia, por isso Jesus disse: “Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34).  Esse reino não é Canaã, e não estará em Canaã. “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo” (Jo.18:36). Paulo revela que é celestial e não terreno, dizendo: “O Senhor me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial” (2 Tm.4:18). O apóstolo Pedro declara que a herança dos cristãos é no céu. “Temos uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (1 Pd.1:4). Esse reino é eterno (2 Pd.1:1). Pois bem. Os cristãos autênticos já participam dos bens eternos antes de entrarem na posse integral do reino de Deus, que é a sua herança final.

1- Já têm vida eterna. “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, TEM A VIDA ETERNA, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo.5:24). Participam no presente de um bem futuro. Ora, no Velho Testamento imperava a morte. “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só — Jesus Cristo” (Rm. 5:17). “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce a sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:9). “Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21). Para Jó, a morte era o fim. O Velho Testamento foi o ministério da morte. “Deus nos fez capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras…” (2 Co.3:6-7). A herança de Jeová era a morte. “A alma que pecar essa morrerá” (Ez.18:4). O povo que Jeová libertou do Egito com grandes promessas, morreu no deserto (Nm.14:28-30). No livro de Judas lemos (não o Judas Israelita) “Mas quero lembrar-vos que, havendo Jeová salvo um povo, tirando-o do Egito, destruiu depois os que não creram” (Jd.5). No reino de Cristo impera a vida.

2- Os cristãos desfrutam da bênção total do Evangelho. “E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do Evangelho de Cristo” (Rm.15:29).  Que é a plenitude da bênção do Evangelho? É a libertação das maldições da lei de Jeová no Velho Testamento. Todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque escrito está: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para cumpri-las” (Gl.3:10). “Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós… Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo…” (Gl.3:13-14). Dá para perceber que, para que os cristãos desfrutem da bênção, precisam antes ser libertos das maldições da lei de Jeová. Se Jeová fosse o Pai de Jesus, o Filho teria que desfazer as obras malignas do Pai, o que seria absurdo. O Deus Pai é amor (1 Jo.4:7-8). Do Deus Pai só vem o que é bom (Tg.1:17).

3- No Velho Testamento, todos bebiam do cálice de Jeová. Que cálice é esse? “Porque na mão de Jeová há um cálice, cujo vinho ferve, cheio de mistura, e dá a beber dele; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes” (Sl.75:8).  Deus, o Pai de amor, daria um cálice de fezes para os pecadores sorverem? Nunca. O Deus Pai, no seu infinito amor, deu um outro cálice. “Porventura o cálice da bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” (1 Co.10:16).

O cálice que o Pai deu a todos foi o sacrifício do seu unigênito Filho, para salvar os pecadores. No Velho Testamento os pecadores bebiam as fezes do cálice de Jeová, mas no Novo Testamento os pecadores bebem num cálice o sangue do Cordeiro de Deus. “Jesus tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc.22:20).

Pelas coisas horríveis que os filhos de Jeová desfrutavam nesta vida, podemos ter uma ideia da herança final. O povo de Israel herdou escravidão, destruição e cativeiros. O livro das Lamentações alerta isso com cores vivas e dramáticas. Aquele pobre povo sempre chorou e até hoje chora no muro das lamentações. O povo de Israel nunca teve paz (Jr.6:14; 8:11). “Espera-se a paz e não há bem; o tempo da cura e eis terror” (Jr.8:15). Os profetas que profetizaram paz eram falsos (Jr.14:13-14). Já no Novo Testamento a paz e a alegria reinam. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14:17).

Que contraste. No tempo de Jeová só havia pranto e angústia, e no tempo de Jesus, paz e alegria. E aqueles condenados não conheciam o caminho da paz (Is.59:8). Não conheciam a Jesus, que é o caminho da paz, e por isso eram destruídos e vendidos. E como podiam conhecer o caminho da paz se Jeová os cegou? (Is.6:10). Jeová os cegou e depois disse: “Trazei o povo cego que tem olhos, e os surdos que tem ouvidos” (Is.43:8).

Jesus, pelo seu Espírito Santo, abre os olhos dos gentios para que creiam, e vejam as coisas do reino de Deus (Ef.1:17-18). Mas aqueles que Jeová cegou, nem mesmo Jesus pode abrir os olhos, tal foi o tamanho da maldição. “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele” (Jo.12:37). Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, afim de que não vejam com os olhos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure” (Jo.12:40). Mas o apóstolo Paulo nos diz: “Os seus sentidos foram endurecido. Porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2 Co.3:14). O Velho Testamento não pode ser desfeito, e até hoje existe. O que Cristo aboliu foram os efeitos maléficos: as pragas e maldições, as condenações e desgraças, as guerras e vinganças, males pestes, os sacrifícios inúteis, etc. Cristo revelou que o Pai jamais faria aquilo, dizendo. “As obras que eu faço, não sou eu, mas o Pai que está em mim” (Jo.14:9-11).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira 

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