(163) – A EXTINÇÃO

A EXTINÇÃO

A doutrina do Velho Testamento sobre a vida humana era a extinção, isto é, a morte apagava não só a vida física, mas também a espiritual. No livro de Jó lemos: “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:9). Quem deu este conceito foi o próprio Jó, servo de Jeová. Davi concordou com Jó, dizendo a Jeová: “Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais” (Sl. 39:13). E Jó, na sua atroz agonia, depois de perder todos os filhos, e tudo quanto possuía, e ainda ferido da cabeça aos pés com a praga da lepra com autorização de Jeová, falou:“Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21). “Porque decorridos poucos anos, eu  seguirei o caminho por onde não tornarei” (Jó 16:22).

A doutrina da extinção do homem na morte física começa a tomar forma na voz dos profetas e dos salmistas. O castigo final de Jeová para os ímpios era a extinção total. “BROTAM OS ÍMPIOS COMO A ERVA, E FLORESCEM TODOS OS QUE PRATICAM A INIQUIDADE, MAS PARA SEREM DESTRUÍDOS PARA SEMPRE” (Sl. 92:7). Esse pensamento era tão sólido na mente dos profetas que Isaías declara:“MORRENDO ELES NÃO TORNARÃO A VIVER,  FALECENDO, NÃO RESSUSCITARÃO; POR ISSO OS VISITASTE E DESTRUISTE, E APAGASTE TODA A SUA MEMÓRIA” (Is. 26:14). Esta profecia é para os gentios. O verso treze esclarece. Mas para Israel havia esperança de ressurreição (Is. 26:19). O profeta Jeremias profetiza contra a Babilônia, dizendo: “E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão um sono perpétuo, e não acordarão, diz o rei, cujo nome é Jeová dos exércitos” (Jr. 51:57). Estas duas profecias , tanto a de Isaías como a de Jeremias, entram em choque frontal com as palavras de Jesus no evangelho de João: “Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (Jo. 5:28-29). Para Jeová os maus não ressuscitam e para Jesus os maus ressuscitam? O Velho Testamento não concorda com o Novo Testamento, e o deus do Velho Testamento não concorda com o Deus do Novo Testamento. Salomão era profeta de Jeová (I Rs. 8:27; At. 7:47-48). Como profeta, Salomão pronunciou a palavra profética de deus, e essa palavra não pode ser anulada, pois Jesus diz: “Se a lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de deus foi dirigia (e a Escritura não pode ser anulada) (Jo. 10:35).

Sendo Salomão profeta, não foi ele que falou, mas Jeová, o deus da lei e dos profetas. E profetizou dizendo: “Deus julgará o justo e o ímpio, porque há um tempo para todo intento e para toda a obra. Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; COMO MORRE UM, ASSIM MORRE O OUTRO, TODOS TÊM O MESMO FÔLEGO; E A VANTAGEM DOS HOMENS SOBRE OS ANIMAIS NÃO É NENHUMA, PORQUE TODOS SÃO VAIDADE. TODOS VÃO PARA UM MESMO LUGAR; TODOS SÃO PÓ, E TODOS AO PÓ TORNARÃO. QUEM ADVERTE QUE O FÔLEGO DOS FILHOS DOS HOMENS SOBE PARA CIMA, E QUE O FÔLEGO DOS ANIMAIS DESCE PARA BAIXO DA TERRA? ASSIM QUE TENHO VISTO QUE NÃO HÁ COISA MELHOR DO QUE ALEGRAR-SE O HOMEM NAS SUAS OBRAS, PORQUE ESTÁ É A SUA PORÇÃO; PORQUE QUEM O FARÁ VOLTAR PARA VER O QUE SERÁ DEPOIS DELE?” (Ec. 3:18-22).

Não me consta que cães vão ressuscitar, nem ratos, nem cobras e lagartos. E, se os homens são exatamente iguais aos animais como declarou Salomão, o profeta, os homens estavam fadados a extinção por Jeová, desde o princípio. Quando Adão foi expulso do paraíso; Jeová sentenciou o seu futuro, dizendo: “Porquanto deste ouvidos a voz da tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também, te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; PORQUANTO ÉS PÓ, E EM PÓ TE TORNARÁS” (Gn. 3:17-19). Pó, na linguagem do Velho Testamento, é extinção total, por isso Jó, no seu infortúnio declarou: “Se eu olhar à sepultura como a minha casa, se nas trevas estender a minha cama, se à corrupção clamar: Tu és meu pai; e aos bichos: vós sois minha mãe e minha irmã; onde estaria então agora a minha esperança? Ela descerá até os ferrolhos do Sheol (inferno), quando juntamente no pó teremos descanso” (Jó 17:13-16). No Velho Testamento, o descanso estava no pó, que era o fim do homem. No Novo Testamento, o descanso está em Jesus, que é a vida eterna (Mt. 11:29).

Jesus Cristo revelou o grande e imensurável amor de Deus, o Pai, dizendo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). A palavra perecer deste verso, no grego é APOLIME, e se traduz por extinção. A tradução correta deveria ser: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não seja extinto, mas tenha a vida eterna.” Sendo assim, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo se colocou contra Jeová  e contra a extinção dos homens. E Jesus, disse: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a  vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo. 5:24). Nesta passagem Jesus se coloca contra a doutrina da extinção de Jeová, e declara que o Pai, que O enviou também é contra.

O plano de Jeová para o seu próprio povo é descrito por Moisés assim: “Falou-me mais Jeová assim dizendo: Atentei para este povo, e eis que ele é povo obstinado; deixa-me que os destrua, e apague o seu nome de debaixo do céu” (Dt. 9:13-14). Isto é muito diferente do Pai, que enviou o seu Filho Unigênito para morrer na cruz pelas nossas obstinações.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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