(374) – MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO

MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO

O apóstolo João declara no seu evangelho: “E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo. 5:22). Analisemos o texto: O Pai a ninguém julga. Quando? Só no Novo Testamento? No Velho Testamento julgava e condenava? O julgamento de Deus, o Pai, está nas mãos de Jesus Cristo, pois Paulo diz: “O Pai tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que determinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (At. 17:31). Se Deus, o Pai, tem determinado um único dia para julgar este mundo, e deu ao seu Filho unigênito essa responsabilidade, que só vai acontecer na sua vinda e no seu reino (II Tm. 4:1), e nesse dia serão julgados os vivos e os mortos, então, os mortos serão todos os que já não vivem mais neste mundo, desde Adão e Eva; e os vivos, serão os que estiverem vivos na sua segunda vinda. Pedro diz o mesmo: “Jesus nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (At.10:42).

Em At. 17:31, Paulo revela que o Juízo de Cristo é o único em que haverá justiça, logo todos os juízos que aconteceram da parte de Jeová sobre os povos, sobre cidades e sobre pessoas, foram injustos. E alem de serem injustos, foram precipitados, ceifando vidas inocentes junto com os culpados. O próprio Jeová declara essas injustiças, pela boca de Ezequiel, quando o mandou dizer: “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama tuas palavras contra os santuários, e profetiza contra a terra de Israel, e dize à terra de Israel: Assim diz Jeová: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. E porque hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne, desde o sul até o norte, e nunca mais voltará a ela” (Ez. 21:2-5).

Se Jeová declara ser juiz injusto, nenhum teólogo tem o direito de mudar o sentido de suas palavras. O profeta Jeremias, enviado por Jeová, assim falou: “Se de boa mente ficardes na terra, então vos edificarei, e não vos derribarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito” (Jr. 42:10). Se arrependeu-se de algo mal que fez, reconheceu que foi injusto.

O Juízo de Cristo acontece em duas etapas, e já começou. Qual é a justiça do Juízo de Cristo? Paulo explica: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fossemos feitos justiça de Deus” (II Cr. 5:21). Jesus se fez carne como nós, sofreu nossas misérias, nossas dores, nosso abandono neste mundo tenebroso, foi tentado como nós, e nos amou a ponto de tomar para si nossos pecados para resgatar-nos da morte e da condenação eterna, na cruz do calvário. A nós, compete-nos crer somente. Disse um a Paulo: “Que é necessário que eu faça para me salvar? E Paulo respondeu: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At. 16:30-31).

Jeová deu a lei no monte Sinai para condenar e matar, por isso Moisés declarou que a lei é uma testemunha contra o pecador (Dt. 31:26). Neemias confirma isso (Nm. 9:34). Paulo declara que o ministério da lei era o da morte gravado em pedras (II Cr. 3:6-7). E esse não é o ministério de Cristo, pois o de Cristo é o ministério do Espírito. O Espírito Santo só foi derramado no Novo Testamento e a partir do pentecoste (At. 2:2-4). Não houve derramamento do Espírito Santo no Velho Testamento, pois essa promessa feita por Jeová, só se realizaria após a restauração de Israel (Ez. 11:17-20; 36:24-28). A restauração de Israel, espiritualmente, não aconteceu, logo a promessa de Joel ainda não aconteceu. O pentecoste da Igreja, de At. 2:2-4, foi promessa de Jesus (At. 1:4). Joel também disse que seria após a restauração (Jl. 2:19-27). Como o derramamento do Espírito, prometido por Jeová nunca aconteceu, e o derramamento de At. 2:2-4 só aconteceu depois da ressurreição de Cristo, não havia ministério do Espírito no Velho Testamento, mas só o da lei, que é o da morte.

Por outro lado, como só haverá condenação para os homens após o juízo final, quando todos voltarão da morte para serem julgados (Ap. 20:11-15), segue-se que todas as condenações acontecidas no Velho Testamento, sob a regência de Jeová, foram antecipadas, logo não foram justas e verdadeiras, pois visavam à destruição dos homens pela ira e furor de Jeová. Este deus, assentado como rei sobre o dilúvio, destruiu toda a humanidade, menos oito pessoas (Gn. 6:7; Sl. 29:10). E no livro de Jó está escrito que o dilúvio levou a humanidade antes do tempo (Jó 22:15-16). O MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO É O QUE CONDENA ANTES DO JUÍZO DO DEUS VERDADEIRO.

Os habitantes de Sodoma e Gomorra eram pecadores corruptos, segunda a Bíblia. Jeová condenava a sodomia, por isso destruiu a fogo do céu aquelas cidades, que eram quatro: Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim (Dt. 29:23). E Judas, na sua Epístola Universal, diz: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão, e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia; assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se corrompido como aqueles, e ido após outra carne, foram postos por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Jd. 6-7).Está escrito que vão sofrer a pena do fogo eterno, logo o juízo de Jeová foi sem apelação.

Jesus fez muitos prodígios e milagres na cidade de Cafarnaum, e não se converteram a Deus. Então Jesus clamou, dizendo: “E tu, Cafarnaum, que te ergues até os céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios e sinais que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Porem eu vos digo que haverá menos rigor para Sodoma do que para vós, no dia do juízo” (Mt. 11:23-24). Jesus, neste texto, falou três coisas:

1. Jeová não fez nada para salvar aqueles pobres pecadores. Se estivesse lá, certamente Jesus teria feito prodígios e muitos se salvariam, e assim a cidade não teria sido destruída.

2. Todos os habitantes de Sodoma comparecerão no tribunal de Cristo para serem julgados, logo o juízo e a condenação de Jeová foram anulados.

3. Como Jesus foi enviado pelo Pai para salvar, e não para condenar, anulando o juízo de Jeová, prova que Jeová não é o Pai, pois o Pai a ninguém julga, e deu a Filho todo o juízo. Jeová passava o tempo julgando e condenando os homens, e o que é pior, fazendo o que Deus, o Pai, nunca fez e nunca fará, pois é amor, e quer salvar a todos os homens (I Tm. 2:3-4; 4:10).

Nós os cristãos participamos do ministério da justiça, que é do Espírito Santo. Paulo diz: “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o ministério do Espírito? PORQUE SE O MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO FOI GLORIOSO, MUITO MAIS EXCEDERÁ EM GLÓRIA O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. PORQUE O QUE FOI GLORIFICADO NESSA PARTE NÃO FOI GLORIFICADO POR CAUSA DA EXCELENTE GLÓRIA” (II Cr. 3:7-10). Essa última sentença, no grego está assim: POIS NA VERDADE, O QUE FOI FEITO GLORIOSO, NÃO O É EM COMPARAÇÃO COM A GLÓRIA INEXCEDÍVEL.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

Deixe uma resposta