(044) – UM POUCO MENOR QUE OS ANJOS

Que vem a ser menor que os anjos ?  Menos glória. Lemos no Salmo 2: “Que é o homem mortal para que te lembres dele ? e o filho do homem para que o visites? Contudo, pouco menor que os anjos o fizeste, e de glória e de honra o coroaste” (Sl.8:4-5). Paulo afirmou que “todos pecaram, e destituídos foram da glória de Deus” (Rm.3:23).

Qual glória? Menor que os anjos.

Fica evidente que a glória que o homem perdeu era menor que a glória dos anjos.

Porque foram destituídos? Porque pecaram.

Como é imputado o pecado? Pela Lei. Ora, a lei produz pecado. “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obraram em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm.7:5). “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm.3:20). “É a lei pecado? De modo nenhum: mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm.7:7). A proibição reprime o apetite, e a lei proíbe mas não ensina; obriga, mas não instrui; escraviza, mas não liberta.

Se os homens foram destituídos da glória, já estão condenados, logo já foram julgados. Todos condenados à morte e destituídos da glória. Parece que essa desgraça começou em Adão. “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos a voz da tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó  te tornarás” (Gn.3:17-19).

João confirma esta condenação terrível: “Quem crê nele não é condenado: mas quem não crê JÁ ESTÁ CONDENADO; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus” (Jo.3:18).

Desde Adão até Moisés e a lei, todos estavam condenados à morte física, mas não à morte espiritual, pois a morte espiritual é a consequência da imputação do pecado, por isso Paulo diz: “Até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei” (Rm.5:13). “A ALMA QUE PECAR, ESSA MORRERÁ” (Ez.18:4). A imputação do pecado produz a morte da alma e não do corpo. Podemos entender assim: De Adão até Moisés havia pecado, mas não havia lei, e por isso o homem não era responsável. Dessa maneira morriam todos no corpo, mas não na alma. Com o advento da lei de Jeová os homens morriam de duas maneiras. Física e espiritualmente. Um jovem quis seguir a Jesus, mas pediu permissão para sepultar seu pai que havia morrido, Jesus disse-lhe: “Segue-me tu, e deixa aos mortos sepultar a seus mortos” (Mt.8:22). Jesus quis dizer que os que morrem fisicamente serão sepultados pelos que ainda não morreram dessa forma, mas estão mortos na alma por causa do pecado imputado pela lei. Todos nascem para morrer fisicamente, e depois de responsáveis pecam e morrem espiritualmente. Morremos duas vezes. Jeová declara que os homens são como os animais, pois como morre um morre o outro, pois todos vão para o mesmo lugar, todos têm o mesmo fôlego. Todos são pó e ao pó tornarão; o homem não volta da sepultura (Ec.3:18-22). Jeová pregava a extinção com esta declaração. Este texto deixa claro que Jeová não tinha planos melhores  para os homens. A morte era o fim (Ec.9:5).

Se Jeová previa a extinção total do homem, essa extinção aconteceu em duas etapas: Primeiro a morte física a partir de Adão, e dois mil anos mais tarde a morte da alma pela imputação do pecado. Esse processo revela que Adão foi colocado no paraíso para viver e tinha o germe da vida eterna, pois foi o primeiro da linhagem de Jesus Cristo (Lc.3:23-38). Havia um plano e um propósito na obra de Jeová ao exterminar o homem, pois não havia justo que não pecasse (Ec.7:20).

Ao salvar o homem, Jesus não restitui a glória que o homem recebeu de Jeová, glória essa menor que a dos anjos. Jesus nos dá a sua própria glória (Jo.17:22; Fp.3:20-21; 1 Co.15:35-49). Ora, Jesus é infinitamente superior aos anjos. “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei?  E outra vez:  Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E quando outra vez introduz  no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb.1:4-6). Como os salvos por Jesus, chamados santos, terão a mesma glória de Cristo, conforme Jo.17:22, todos os salvos terão uma glória maior que os anjos, por isso os salvos julgarão os anjos (1 Co.6:1-3). No Velho Testamento os anjos julgavam os homens, mas no Novo Testamento os homens julgarão os anjos, pois são como irmãos de Jesus Cristo (Rm.8:29). Os anjos não são filhos de Deus (Hb.1:5). Jesus é Filho de Deus (Jo.1:18; Rm.1:3-4). E os salvos podem se tornar filhos de Deus através de Jesus Cristo (Jo.1:12-13). Assim se tornam irmãos de Jesus (Rm.8:29).

Jeová condenou os homens à extinção, e Jesus, autor e consumador da fé, anula a extinção, confere ao que nEle crê, a vida eterna, e uma glória superior a primeira, e nos dá um outro reino superior aos reinos da Terra. “Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34). E Paulo diz: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp.3:20-21). “E o Senhor me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para O SEU REINO CELESTIAL (2 Tm.4:18).

Domínio sobre os animais do campo, aves do céu e peixes do mar, foi a glória dada por Jeová aos homens (Sl.8:5-9). Esta é a glória da Terra e não do céu, e depois que os homens foram destituídos da glória, dominaram os animais dos mares, as grandes baleias, no campo os elefantes e leões. Os circos estão cheios de domadores de leões e elefantes. Essa glória foi uma humilhação para o homem.

Mas nós damos glória a Jesus Cristo, pois Ele nos dá uma glória celestial e não terrena.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

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