(108) – DISCRIMINAÇÃO RACIAL

DISCRIMINAÇÃO RACIAL

 

O que é racismo? Doutrina ou maneira de ser que afirma a superioridade de certas raças humanas, e manifesta-se por um desprezo em relação à raças consideradas inferiores. Por exemplo: Uma nação se desenvolve mais que outra, e por isso passa a considerar a outra inferior. Os brancos e os negros só são diferentes na cor, pois na inteligência e no espírito são iguais. Como os brancos da Europa e da América se desenvolveram muito, e os africanos permaneciam numa sociedade primitiva, foram considerados seres inferiores e transformados em escravos. Eram transportados em navios e vendidos como animais. Trabalhavam sem salário e sem liberdade, debaixo de açoites, flagelos e linchamentos.

Nos EUA, antes da Guerra de Secessão, os estados do norte tinham quatro milhões de escravos. Os estados do sul, ao todo onze, sendo mais agrícolas, se opuseram à idéia da abolição da escravatura. A Guerra durou cinco anos. A abolição foi exatamente no ano de 1863,  à medida em que o Norte se lançou para vencer essa Guerra separatista, sob a presidência de Abraão Lincoln, que foi assassinado.

A discriminação racial é tão abominável, que em todas as nações tiveram de extinguir esse comércio. Só na cidade de Liverpool, na Inglaterra, havia dois mil navios negreiros. O historiador Roscol, que era desta cidade, levantou a sua voz contra este mercado de sangue em 1781. William Pitt, estadista inglês, pronunciou em 1793, no parlamento, um admirável discurso de duas horas, no qual pintou pateticamente os horrores do tráfico da escravatura. O movimento abolicionista tomou forma na Europa. Em 1792, 16 de maio, a Dinamarca aboliu o tráfico dos negros em suas colônias. No congresso continental, feito em Filadélfia em 1774, foi condenado o comércio de escravos. Em 1780, a Pensilvânia tinha pronunciado a libertação dos negros nascidos posteriormente à declaração da independência. Pouco depois os estados do norte e do centro dos EUA proibiram introduzir novos. Começou então o contrabando. Após as proibições, cresceu na Europa o comércio de negros.

Em 1817, na Inglaterra, esse comércio se tornou crime capital. Em 1831, o governo pronunciou a libertação imediata de todos os escravos da coroa. Em 1º de agosto de 1834 foi abolida a escravatura na Inglaterra. A França, a Áustria e a Rússia tardaram a por em execução o fim da escravatura, que já tinha sido proposta no congresso de Viena, em 20 de dezembro de 1841. No México, os navios traficantes eram confiscados, e os capitães punidos com dez anos de prisão. No Brasil, a princesa Isabel, no dia 13 de maio de 1888, extinguiu a escravidão.

A escravidão acabou, mas ficou o preconceito racial e a discriminação. Nos EUA, a discriminação já dura 135 anos. Os negros não eram aceitos em restaurantes e hotéis dos brancos. Seus filhos não podiam entrar nas escolas dos brancos.

Que os brancos, em seu orgulho, vaidade e cobiça, façam discriminação entre uns e outros é aceitável por causa da maldade de seus corações. O que não se pode aceitar é que um Deus, declarado bom pelo próprio Filho (Mt. 19:16-17), todo feito de amor (I Jo. 4:7-8), que salva todos os homens (I Tm. 4:10), e decretou uma graça universal, portanto, perdão a todos indistintamente (Tt. 2:17), e que enviou o seu Filho para salvar a todo o que crer, isto é, preto, branco, amarelo, pobre ou rico, culto ou ignorante, escravo ou livre, idólatra, criminoso, prostitutos e homicidas, faça discriminação racial. Se o Pai ama a todos, amou também os egípcios que foram odiados e discriminados pelo demiurgo, ou Cosunocrator, ou príncipe das potestades do ar, que, segundo muitos dos pais da Igreja nos primeiros dois séculos, fazia acepção de pessoas, era racista, e discriminava pessoas e reinos. Para aquele deus, todos os povos e reinos eram imundos. Só o seu povo não era. “És povo santo para Jeová teu deus, e Jeová te escolheu; de todos os povos que há sobre a terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt. 14:2).Israel não correspondeu aos planos de Jeová, e como castigo foi mandado para o cativeiro na Assíria em 721 a.C. Mais tarde, o reino de Judá foi para o cativeiro babilônico no ano 606 a.C.

Jeová promete restaurar os dois reinos formando um só em Ez.37. Nessa época próxima, pois Jeremias marca 70 anos para a grande obra. (Jr. 25:11; 29:10-14). O reino de Israel seria superior aos demais reinos, e os povos todos serviriam a Israel, o que evidencia discriminação divina. “Os filhos dos estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque no meu furor te feri, mas na minha benignidade tive misericórdia de ti” (Is. 60:10). “E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinheiros” (Is. 61:5). “Assim diz Jeová: Eis que levantarei a minha mão para as nações, e ante os povos arvorarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas nos ombros, e os reis serão os teus aios e as suas princesas as tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra e lamberão o pó dos teus pés, e saberás que eu sou Jeová.” (Is. 49:22-23).

No Novo Testamento lemos que o verdadeiro Deus é Pai de todos os povos, e no seu reino ninguém vai beijar os pés dos outros. “É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente” (Rm. 3:29). Jeová era o Deus de Israel somente, mas o Pai é Deus de todos os homens (Ef. 4:6).

Os cristãos, inspirados no Velho Testamento e alimentando o desejo de serem superiores aos povos, fizeram uma interpretação escatológica do Apocalipse, sonhando reinar sobre os povos com vara de ferro por mil anos. Os textos básicos para esse sonho estão no Apocalipse. “E ao que vencer, e  guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações. E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi de meu pai” (Ap. 2:26-27). “E, para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap. 5:10). “E reinaram com Cristo mil anos” (Ap. 20:4).

Se  Jesus formar um povo superior para reinar sobre os inferiores com vara de ferro, estará se igualando aos planos de Jeová.

Ponderações ajudam a esclarecer o assunto:

1-    Jesus não vai reinar neste mundo, pois declarou: “Meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36).

2-    Paulo afirmou que vai morar num reino celestial e não terreno (II Tm. 4:18).

3-    Nossa pátria não é na terra, e aqui somos estrangeiros (Hb. 11:13-16).

4-    A terra é o reino de Satanás, e Deus não vai trazer o seu reino para juntar ao de Satã (Mt. 12:24-28).

5-    A Igreja é o reino de Deus entre os homens, mas apenas para arrancá-los do poder de Satanás, e leva-los ao reino da luz (At. 26:18; Cl. 1:12-13).

6-    Pedro afirma que a nossa herança está nos céus e não na terra (I Pd.1:3-4).

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

 

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