(030) – OS DOIS ESPÍRITOS

Um homem se dá a conhecer pelo espírito que tem. A infidelidade é um espírito. “Geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel para com Deus” (Sl.78:8).

Os 12 homens que foram espiar a terra de Canaã e infamaram a terra (Núm.13:31-32). Diz a escritura que Calebe teve outro espírito, e perseverou firme em conquistar a terra. Havia dois espíritos. Dez tinham espírito de covardia, e Josué e Calebe tinham espírito de ousadia e destemor. “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua semente a possuirá em herança” (Num.14:24). Eram dois espíritos diferentes.

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente: esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn.3:15). Nessa passagem, Jeová colocou a inimizade entre a serpente e a mulher. Fica assim provado que os dois espíritos antagônicos vêem de Jeová. São hálitos do mesmo Deus. Um dos espíritos de Jeová é bom e outro é mau (Ne.9:20). “E o espírito do Senhor se retirou de Saul, e o assombrava um espírito mau da parte de Jeová” (1 Sam.16:14).

O espírito bom de Jeová saiu de Saul, tendo ele pecado, e  foi colocado em Davi  (1 Sam.16:13-14). Davi, cheio do Espírito bom, cantava para retirar de Saul o espírito mau, porém o espírito mau era mais forte e Saul tentou matar Davi. “E aconteceu ao outro dia que o mau espírito da parte de Jeová se apoderou de Saul, e profetizava no meio da casa: e Davi tangia a harpa com a sua mão, como de dia em dia: Saul porém, tinha na mão uma lança. E Saul atirou com a lança, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes” (1 Sam.18:10-11). Num segundo confronto entre os dois espíritos, Davi teve de fugir para não ser morto (1 Sam.19:9-10).

Fantástico! O Espírito bom fugindo do espírito mau. Neste mundo tenebroso o mal prevalece sobre o bem, e Jeová se declara o autor do mal! “Tocar-se-á a buzina na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá qualquer mal à cidade, e o Jeová não o terá feito?” (Amós3:6).  “Porventura da boca do Altíssimo não sai o mal e o bem?” (Lam.3:38).

O espírito mau de Jeová é tão forte e tão superior ao seu bom Espírito, que os grandes homens do Velho Testamento cometeram pecados gravíssimos. Abraão o pai da fé, entregou a mulher a Faraó para se proteger. É óbvio que foi o mau espírito que o impeliu a isso, pois se fosse guiado pelo bom Espírito daria a vida para proteger Sarai. O Novo Testamento confirma isso em (1 Jo.3:16). Isaque seguiu o mau exemplo de seu pai Abraão, entregando Rebeca, sua mulher, a Abimeleque, rei de Gerar, para salvar sua própria vida (Gên.26:6-7). Sanção era nazireu, isto é, santo desde o ventre (Jz.13:7). Já adulto, Sanção desceu a Timnate, e se apaixonou por uma filha dos filisteus. Seu pai tentou dissuadi-lo, pois na lei de Moisés, Jeová proibiu a união com os povos cananeus. Sanção afrontou e desobedeceu o pai e casou com a tal mulher. E qual foi o espírito que impeliu Sanção a esse pecado? O espírito de Jeová! “E o espírito de Jeová  o começou a impelir de quando em quando para o campo de Dã, entre Zorá e Estaol” (Jz.13:25).  Certamente não era o Espírito bom, pois Sanção foi contra a lei de Jeová (Dt.7:1-4). O fato é que, no Velho Testamento, o espírito mau de Jeová prevalecia sobre o bom.

No Novo Testamento o quadro é completamente diferente. Em primeiro lugar, o Deus Pai só tem um Espírito. “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação” (Ef.4:4). Nem do Pai e nem de Jesus vem o espírito mau. Em segundo lugar, o Espírito bom dado por Jesus tem muito mais poder do que os espíritos maus (Mc.16:17-18; At.5:14-16). “E descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados” (At.8:5-7). Hoje, todos os crentes que tem o Espírito Santo repreendem os espíritos malignos, que saem dos possessos gritando e espumando. Não precisa ser um grande profeta para expulsar demônios. Qualquer crente pode realizar esse prodígio em nome de Jesus.

Um fato, no Novo Testamento, chama a atenção. É a história de um jovem lunático, possesso de demônios. Os apóstolos não puderam liberta-lo e o trouxeram a Jesus (Mat.17:14-21). E por que não puderam? Porque Cristo não tinha consumado a obra na cruz e ainda estavam no Velho Testamento.

No Velho Testamento o espírito mau era mais forte que o espírito bom, e assim nem os apóstolos puderam com ele. Mas Cristo tem todo poder no céu e na terra. E confere esse poder aos seus discípulos (Lc.24:49). E esse poder Davi não tinha, logo o espírito que estava sobre Saul e depois sobre Davi não era o Espírito Santo.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

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