(274) – O AMOR DE DEUS – IV

O AMOR DE DEUS 4

     O profeta Isaías, um dos quatro maiores profetas do Velho Testamento, assim se expressou: “Ai de mim, que vou perecendo porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o rei, Jeová dos exércitos” (Is. 6:5). Isaías confessou duas coisas:

1)    Aprendeu a falar torpezas com o seu povo, cujo coração era cheio de torpezas (Mt. 12:34).

2)     Confessou também que Jeová não suportava as torpezas, e por isso ia matá-lo. Então um dos Serafins que voavam acima do trono de Jeová, com uma tenaz, tomou uma brasa viva, foi até Isaías, purificou os seus lábios, e tirou a sua iniqüidade (Is. 6:6-7).

Com isso Jeová provou que, por ser santo e puro, não usa pessoas impuras e pecadoras. Seguindo essa linha da santidade de Jeová, o sacerdote não podia casar com uma mulher viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, mas somente com virgem (Lv. 21:13-14). Seguindo a mesma linha, por que Jeová obrigou o profeta Oséias a casar com uma conhecida prostituta, e gerar três filhos dessa prostituta? Com isso Jeová denunciou a corrupção de Israel e Judá, mas não teve caridade com o profeta Oséias, e nem com os três filhos. Isto que Jeová ordenou ao profeta é indecente, e o apóstolo Paulo, cheio do Espírito Santo, declarou: “A caridade não se porta com indecência” (I Co. 13:5). Existem hoje muitos cristãos adoradores de Jeová, que baseados em Oséias, dizem: Eu sou deste jeito porque Deus me fez assim. Se Oséias foi profeta eu posso ser pastor. Com isso acabou a doutrina do novo nascimento (Jo. 3:3-6). Mas Jeová era tão exigente na área moral. A mulher repudiada pelo marido estava proibida de tornar a ele depois de contaminada por outro homem (Dt. 24:1-4). Se a filha de um sacerdote se prostituísse era queimada viva (Lv. 21:9). Um filho desobediente e contumaz era apedrejado até a morte por ordem do pai (Dt. 21:18-21). A ordem de Jeová era: “Santificai-vos, pois eu, Jeová, vosso deus, sou santo” (Lv. 20:7). Em seguida diz: “Os adúlteros serão apedrejados e mortos” (Lv. 20:10). Se um homem se deitasse com outro homem, morreriam os dois (Lv. 20:13). Se homem ou mulher se achegasse a algum animal, eram apedrejados os dois, e também o animal (Lv. 20:15-16). E o texto termina dizendo: “Santos sereis, porque eu, Jeová, sou santo” (Lv. 20:26). Muitos doutores e teólogos me combatem dizendo: O senhor não leva em conta o contexto histórico e cultural da época? Deus tinha que ser mais duro. E eu respondo dizendo: Mas Jeová exigia deles uma santidade e um comportamento moral impossível para a época em que viviam. O que desmoraliza esses doutores e teólogos, é que, no nosso contexto histórico e cultural evoluído, aquelas coisas que Jeová proibia sob pena de morte, são praticadas livremente. O comércio pornográfico é livre no mundo todo por todos os meios de comunicação, e Jeová não manda apedrejar os cristãos que adotam essas práticas imundas.

Jeová era tão contrário à imoralidade e à corrupção de costumes, que uma vez, quando Balaão, o profeta louco, aconselhou os israelitas a se prostituírem com as moabitas, povo odiado por Jeová, e a sacrificarem com os moabitas ao seu deus Baal-peor (Senhor de Peor), Jeová mandou, na sua ira, uma praga que matou vinte e quatro mil (Nm. 25:9). Ordenou a Moisés que tomasse todos os cabeças do povo, e os enforcasse em sacrifício a Jeová (Nm. 25:4). A ira do deus matador só passou quando Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão sacerdote, tomou uma lança, e atravessou a ambos, o varão israelita e a moabita, pela barriga. Então cessou a ira de Jeová. (Nm. 25:7-8; 31:16).

Sendo Jeová tão santo e tão puro de olhos, que não pode ver o mal, e a vexação não pode contemplar (Hb. 1:13), porque permitiu no Velho Testamento, narrativas indecentes e de baixo nível moral? Ló, sobrinho de Abraão, separou-se do tio, e foi habitar em Sodoma. As filhas se corromperam, e quando a família foi tirada pelos dois anjos, por ocasião da destruição dos sodomitas, foram habitar numa pequena vila de nome Zoar, numa caverna. A mais velha deu a beber vinho a Ló, seu pai, e se deitou com ele, e concebeu. No outro dia disse à irmã mais nova: Vamos dar vinho ao nosso pai novamente, e tu te deitarás com ele. E assim fizeram. E as duas deram à luz seus filhos. Filhos de dois incestos praticados com o próprio pai. Por que Jeová, que não pode contemplar o mal, permitiu uma narrativa de moral ofensiva aos bons costumes? A narrativa ensina como fazer para realizar um ato abominável. No livro de provérbios temos uma narrativa pormenorizada, que estimula uma mulher a trair o marido, quando está viajando. Ela sai em busca de outro, e lhe diz: “ Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela. Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã; alegremo-nos com amores, porque o marido não está em casa, foi viajar” (Pv. 7:17-19). A descrição é insinuante e sugestiva. Por que Jeová, tão contra tais atos, permitiu tais narrativas que despertam o prazer carnal? No livro de Cantares, Salomão descreve, o que, na sua amada, é desejada. Sulamita o atrai: “Que formosos são os teus pés nos sapatos, é filha do príncipe! As voltas das tuas coxas são como jóias trabalhadas por mão de artista. O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como monte de trigo, cercado de lírios. Os teus dois peitos como dois filhos gêmeos da gazela” (Ct. 7:1-3).

O texto é cheio de poesia e malícia. Se Jeová é tão puro de olhos, por que colocou no Velho Testamento narrativas que são alimento para olhos impuros?

Israel se corrompeu muito e Jeová declara que essa corrupção vem de longe, desde o seu nascimento. Ele disse a Ezequiel o profeta: “Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade. A mais velha é Samaria, e a mais nova Jerusalém” (Ez. 23:2-4). Jeová falou a Ezequiel mil e cem anos depois, isto é, Israel se corrompeu no Egito e acabou o reino mil e cem anos mais tarde por causa da corrupção do Egito. Mas foi Jeová que os levou ao Egito. Jeová descreve à Ezequiel a devassidão do seu povo, e ainda declara que os entregou às mesmas devassidões (Ez. 23:8-9). A narrativa de Jeová é de baixo nível, e perniciosa às crianças e adolescentes que lêem o Velho Testamento (Ez. 23:19-20). Mas Paulo, cheio do Espírito Santo, disse: “A caridade não se porta com indecência”(I Co. 13:5).

O caso de Davi foi escabroso, pois este cometeu um adultério, e ainda mandou matar o marido para poder adotar o filho da prostituição. Jeová chamou a atenção de Davi duramente, condenando seu ato terrivelmente pecaminoso. Então Jeová fala uma coisa de arrepiar os cabelos dos mais ignorantes cristãos. O que você fez Davi é muito baixo e torpe para meus olhos puros, e para minha divina santidade, e por isso eu vou fazer pior do que você. Eu vou tomar as tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com elas perante este sol (II Sm. 12:11-12). Como pôde Jeová fazer aquilo que proíbe? E a quem Jeová entregou as mulheres de Davi? A seu filho Absalão(II Sm. 16:22). Mas a caridade, isto é, o amor, não se porta com indecência; e Deus é amor. Como fica? Acontece que o amor revelado por Jesus Cristo, amor que procede do Pai, amor que é o próprio Espírito Santo, não era conhecido por Jeová, o destruidor das almas (II Rs. 1:9-12; Lc. 9:51-56). Jeová só conhecia a ira, o furor, e a vingança. Nós, graças a Jesus, conhecemos o amor de Deus, pois amamos e oramos pelos que nos perseguem e maldizem.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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