(290) – DRAGÃO – II

O DRAGÃO  2

         Jeová chamou a Abrão, quando este tinha setenta e cinco anos e morava em Harã. O texto bíblico diz: “Ora, disse Jeová a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. Assim partiu Abrão, como Jeová lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã” (Gn. 12:1-4).

“E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido; e as almas que lhe acrescentaram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã. E passou Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e estavam então os cananeus na terra. E apareceu Jeová a Abrão, e disse: À tua semente darei esta terra. E Abrão edificou ali um altar a Jeová” (Gn. 12:5-7).

“Depois disso moveu-se Abrão dali para a montanha à banda do oriente de Betel, e armou suas tendas, tendo Betel ao ocidente, e Ai ao oriente. Continuou depois andando para a banda do sul. E havia fome naquela terra” (Gn. 12:8-10). “Fugindo da fome, aconteceu que, chegando ele para entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher formosa à vista; e será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é sua mulher. E matar-me-ão a mim, e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa e que viva a minha alma por amor de ti” (Gn. 12:11-13).

“E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios a mulher, que era mui formosa. E viram-na os príncipes de Faraó, e gabaram-na diante de Faraó; e foi a mulher tomada para a casa de Faraó” (Gn. 12:14-15). O incrível nesta passagem da vida de Abrão, é que Jeová sabia que Faraó ia tomar Sarai para concubina, isto é, amante, e permitiu que Abrão mentisse. Fica assim evidente que era plano de Jeová que Sarai fosse amante de Faraó, senão não permitiria aquela mentira. A fome também foi produzida por Jeová, para forçar a descida de Abrão ao Egito. Para Jeová, mulher é objeto de negócio para enriquecimento, e o adultério não era configurado. “E Faraó fez bem a Abrão por amor de Sarai, e ele teve ovelhas, e jumentos e camelos” (Gn. 12:16). A prostituição de Sarai foi plano de Jeová para enriquecer Abrão.

Depois que Abrão estava rico, e Sarai moralmente maculada, Jeová feriu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai mulher de Abrão. “Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher? Porque disseste: É minha irmã? De maneira que a houvera tomado por minha mulher; agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te” (Gn. 12:17-19).

Ora, se Jeová teve poder, através das pragas, para que Faraó devolvesse Sarai a Abrão, seu marido, por que permitiu que Abrão mentisse e que Sarai fosse tomada para a casa de Faraó como amante? A resposta é conclusiva. Era seu plano secreto. Algo misterioso estava figurado nesse episódio imoral e desonesto. “E Faraó deu ordens aos seus varões a respeito de Abrão, e acompanharam-no a ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha” (Gn. 12:20). “Subiu, pois, Abrão do Egito, para a banda do sul, ele e sua mulher, e tudo o que tinha, e Ló com ele. E ia Abrão muito rico em gado, em prata, e em ouro” (Gn. 13:1-2).Uma coisa ficou clara. Para Jeová, quando se trata do enriquecimento, vale tudo, até alugar ou prostituir a mulher; finalmente o ouro e a prata tem muito valor para Jeová, pois ele é o deus do ouro e da prata(Ag. 2:8). A maior bênção de Jeová para um homem era o ouro, prata, e a glória deste mundo. Do rei Davi, o eleito de Jeová lemos: “Assim Davi, filho de Jessé, reinou sobre Israel. E foram os dias que reinou sobre Israel, quarenta anos. E morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e glória” (I Cr. 29:26-28). Do bom rei Jeosafá, rei de Judá lemos: “E Jeová confirmou o reino na sua mão, e todo Judá deu presentes a Jeosafá; e teve riquezas e glória em abundância” (II Cr. 17:5). Ezequias também foi um ótimo rei, fiel a Jeová. Dele se lê o seguinte: “E teve Ezequias riquezas e glória em abundância; e fez-se tesouros de prata, e de ouro, e de pedras preciosas, e de especiarias, e de escudos, e de tudo o que se podia desejar” (II Cr. 32:27). Salomão declara que a bênção de Jeová é riqueza sem sofrimento. “A bênção de Jeová é que enriquece e não acrescenta dores” (Pv. 10:22). Jeová dava e dá tudo o que Jesus manda não buscar. “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e os ladrões minam e roubam” (Mt. 6:19). Houve um jovem muito rico que se chegou a Jesus. Além de rico era muito religioso e fiel. Guardava todos os preceitos da lei. Era dizimista, dava esmolas e jejuava de acordo com a tradição. Este jovem perguntou a Jesus, dizendo: “Que me falta ainda, para herdar a vida eterna? Jesus lhe disse: Vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; e vem, e segue-me” (Mt. 19:16-21). O moço retirou-se.

O fato é que o conceito de riqueza e glória de Jesus não é o mesmo de Jeová.

Mas voltemos a história de Abrão e Sarai. Jeová provocou a fome onde Abrão vivia anteriormente, para forçá-lo a descer ao Egito, e também entregar Sarai, sua mulher a Faraó, rei do Egito. Jeová fazia alegorias e parábolas com pessoas vivas. Paulo revelou isso na epístola aos Gálatas: “Dizei-me os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos. Um da escrava e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre por promessa. O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos. Um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Hagar” (Gl. 4:21-24). Jeová levou Abrão ao Egito também para lhe dar Hagar, que é figura de Israel, pois é o concerto do Sinai, e da lei, gerando escravos. Com isto introduziu no plano do Pai, que é a Jerusalém celestial, o seu próprio plano, a Jerusalém terrena. O projeto do Pai era a herança celestial. Jeová intercalou a herança terrena. O Egito é figura do mundo, e Faraó o grande dragão segundo o profeta Ezequiel (Ez. 29:3). E o dragão é Satanás (Ap. 12:9). Sendo assim, Sarai foi amante do dragão, isto é, de Satanás, o rei deste mundo (Lc. 4:5-8). E o dragão, isto é Satanás, enriqueceu a Abrão por amor de Sarai. Depois, Jeová fere o dragão com grandes pragas como se não fosse o autor do infernal acontecimento. Mais tarde, Abraão diz a Abimeleque, rei de Gerar, que Sara é sua irmã. Jeová então, protege Sara ameaçando Abimeleque e sua casa de morte. Com isto convence os cristãos que guarda seus servos. Mas não guardou Sarai de Satanás, o dragão.

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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