(176) – A ONISCIÊNCIA

A ONISCIÊNCIA

 

O que é onisciência? Esta palavra se deriva de duas palavras latinas, “OMNES” que significa “tudo”, e “SCIENTIA”, que significa “conhecimento”, isto é, Deus tem todo o conhecimento. Deus conhece tudo. E porque conhece tudo, Deus produz os melhores resultados possíveis através dos melhores meios possíveis. Estas definições não se concretizam na história de Israel, pelos meios usados por Jeová. O seu método para aperfeiçoar seu povo foram as pestes, pragas, matanças, fome e sede, cativeiros, e os dois reinos se corromperem totalmente. O reino do norte desapareceu com o cativeiro assírio há dois mil e setecentos anos, e o reino do sul, isto é, Judá, desapareceu com o cativeiro babilônico há dois mil e seiscentos anos aproximadamente. No livro de Judas, verso cinco, lemos que Jeová salvou seu povo Israel da terra do Egito, mas depois destruiu os que não creram. Os que não creram foram todos, com exceção de dois, Josué e Caleb. Se eram incrédulos porque os salvou? A impressão que temos é que Jeová não sabia que eles eram incrédulos.

Jeová contempla tudo o que se passa na terra. “Os olhos de Jeová estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv. 15:3). Ele viu Caim matar Abel e o repreendeu (Gn. 4: 8-10). E Jeová lhe disse:“A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a Terra” (Gn. 4:10).  Quando Jesabel mandou matar Nabote para lhe roubar a vinha e dar ao marido, Jeová falou a Elias: “Vai encontrar-te com Acabe, diz-lhe: Porventura não mataste e tomaste a herança? No lugar onde os cães  lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão e teu sangue” (I Rs. 21:18-19). Vamos ler um trecho da lei de Jeová: “Quando, na terra que te der Jeová teu deus para possuí-la se achar algum morto, caído no campo, sem que se saiba quem o matou” (Dt. 21:1). Na continuação do texto, Jeová ordena que seja sacrificada uma bezerra em um vale áspero. Degolada a Bezerra, os anciãos daquela cidade, na presença dos sacerdotes, lavarão as mãos sobre a cabeça da bezerra degolada, dizendo: “Nossas mãos não derramaram este sangue, e nossos olhos não viram o crime.” O sangue da bezerra fez expiação, e o assunto foi encerrado (Dt. 21:1-9). Jeová sabia ou não sabia quem era o assassino. Se sabia encobriu o crime fazendo-se cúmplice. Ou será que não sabia? Há trechos na Bíblia que deixam claro que Jeová não conhece tudo, logo não vê tudo. Mencionemos alguns.

Jeová apareceu a Abraão, e fez referência à corrupção de Sodoma e Gomorra. E disse-lhe: “Descerei agora e verei se com efeito tem praticado segundo este clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn.18:21). Jeová confessa de maneira insofismável que queria saber a verdade, e para tanto tinha de descer até  o local. Neste trecho não se trata de onisciência, mas de fiscalização. Jeová não vê tudo, logo não é onipresente, ainda que afirme ser. “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz Jeová. Porventura não encho eu o céu e a terra? (Jr. 23:24). Vejamos outro caso. O rei Ezequias foi curado de mortal enfermidade. O filho de Baladã, rei da Babilônia, sabendo da doença de Ezequias, e também da milagrosa cura, enviou presentes ao rei de Judá. Ezequias, sensibilizado, abriu as portas aos mensageiros, e lhes mostrou a casa do tesouro, a prata, o ouro, as especiarias, os melhores ungüentos.  Nada deixou sem mostrar (II Rs. 20:12-15). Jeová, o deus das vinganças, reprovou essa atitude do rei Ezequias, e lhe disse: “Todos os teus tesouros serão levados para Babilônia, e até a teus filhos, tomarão para serem eunucos no paço da Babilônia” (II Rs. 20:16-18). E Jeová, desconfiando das intenções de Ezequias, o desamparou, para tentá-lo, e para saber tudo o que  havia no seu coração (II Cr. 32:31). Fica assim bem provado que Jeová não é onisciente, pois não conhecia o coração de Ezequias. Só iria saber o pensamento de Ezequias  pelas obras da revolta.

Temos um outro caso mais grave. É o caso do povo de Israel. Este povo estava cativo no Egito e sob jugo de ferro. Jeová enviou Moisés a Faraó com a seguinte mensagem. “Assim diz Jeová: Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex. 4:22). Com grandes e poderosas pragas tirou o seu filho primogênito do Egito, para levá-lo a uma terra de liberdade e fartura, de ribeiros d’água, de trigo e cevada, e de vides, e figueiras, e romeiras; terra  de oliveiras onde abundam azeite e mel (Dt. 8:7-10). Mas Jeová não conhecia o coração do seu filho primogênito, pois não é onisciente, e oprimiu o povo para saber o que não sabia. O texto diz assim: “E te lembrarás de todo o teu caminho, pelo qual Jeová teu deus, te guiou no decerto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os mandamentos ou não” (Dt. 8:2). Tirou do Egito um povo que amava o Egito, mas ignorando esse amor, os chamou de filho primogênito. Para libertá-los matou os primogênitos do Egito, inclusive o primogênito de Faraó (Ex. 12:29-30). E depois matou no deserto o seu próprio filho primogênito (Ex. 4:22; Nm. 14:28-29; Jd. 5). Quando dizemos que matou seu filho primogênito, nos referimos ao povo que saiu do Egito, um milhão de pessoas, ou mais. Somente dois se salvaram (Nm. 14:30).

Jeová não conhece o que o homem tem no seu coração, pois não é onisciente. Um caso escabroso foi o do rei Salomão, filho de Davi. Este rei propôs em seu coração edificar uma casa para Jeová, mas este deus não permitiu, alegando que Davi tinha derramado muito sangue (I Cr. 22:7-8). Jeová falou a Davi, dizendo: “Eis que o filho que de ti nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor. Portanto Salomão será o seu nome, e ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono do seu reino para sempre (I Cr. 22:9-10). Paz, nem Salomão, nem Israel tiveram, do modo que Jeová falou que teriam, sem conhecer o futuro, pois não é onisciente  nem onipresente (I Rs. 11:23-25). Foi Jeová que deu o nome a Salomão, e o amou desde o ventre (II Sm. 12:24; I Cr. 22:9). E, tendo certeza de que Salomão seria o maior rei, lhe deu sua sabedoria divina (I Rs. 3:12). E prometeu confirmar o reino nas mãos de Salomão eternamente (I Cr. 22:10). Mas saiu tudo ao contrário. Salomão usou a sabedoria de Jeová para saquear o povo (I Rs. 12:4, 11). Salomão, sensual e voluptuoso, se uniu a todas as mulheres. Foram ao todo mil, moabitas, amonitas, edonitas, sidônitas e heteias; além da filha de Faraó. Todas eram mulheres proibidas por Jeová (I Rs. 11:1-3). E Salomão foi corrompido pelas mulheres, e Salomão apostatou da fé (I Rs. 11:4-8). E, em vez de confirmar o reino nas mãos de Salomão, Jeová, como castigo, dividiu-o em dois, acabando assim o reino de Israel (I Rs. 11:12).

Jesus Cristo é diferente de Jeová, pois conhece o coração dos homens (Jo. 2:23-25). Jesus conhece os pensamentos dos homens (Mt. 9:4; Lc. 5:22; Lc. 6:8; Lc. 9:47).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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