(164) – OS DEUSES

OS DEUSES

        Jeová sempre se declarou único deus: “Há outro deus além de mim? Não, não há outra rocha que eu conheça” (Is. 44:8). “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra; porque eu sou deus, e não há outro” (Is. 45:22).“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou deus, e não há outro deus, não há outro semelhante a mim” (Is. 46:9). O rei Davi declarou: “Porque tu és grande e operas maravilhas; só tu és deus” (Sl. 86:10).

Os outros deuses dos povos eram todos obra das mãos dos homens, madeira e pedra, que não vêem nem ouvem, nem comem nem cheiram (Dt. 4:28). O Salmo 115 fala da pobreza espiritual dos povos idólatras, cujos deuses são obra das mãos dos homens. O pai de Abraão chamava-se Tera, e era idólatra (Js. 24:2). Segundo algumas tradições, Tera fabricava ídolos. No livro das tradições de Israel, há uma muito interessante. Abraão não concordava com a idolatria de seu pai. Um dia entrou no templo e derrubou o ídolo. O caso foi descoberto e o povo queria matá-lo pelo crime. Abraão disse: Ponham um prato de comida diante desse deus durante a noite. Se ele comer, ele é vivo. Se não comer não é deus. No dia seguinte foram todos ao templo e o prato estava vazio. Os inimigos de Abraão se prepararam para matá-lo. Então ele disse: Olhem para o chão. De quem são as marcas destes pés? Abraão, logo à noite tinha espalhado farinha de trigo nos corredores do templo, e os pés dos sacerdotes ficaram marcados. Abrão ficou livre.

Jeová deu o primeiro mandamento do decálogo. “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex. 20:3). Na realidade não eram deuses, mas ídolos de fantasia humana para explorar a boa fé do povo cego. A verdade é que os homens têm uma natureza mística, e a religião os acompanha desde tempos imemoriais. Os espertalhões sempre existiram também para explorar a boa fé dos incautos; esses formavam uma casta sacerdotal que conduzia o povo, e os explorava e corrompia. Jeová, o deus de Israel, tinha como escopo da sua missão acabar com a idolatria. Daí a razão do primeiro mandamento. O segundo diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, Jeová teu deus, sou deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos” (Ex. 20:4-6). O castigo da idolatria era a morte por apedrejamento (Ex. 22:20; Dt. 8:19; 13:6-10). O ódio que Jeová devotava ao idólatra era tão grande, que além de morrer por apedrejamento, havia uma maldição sobre a descendência até a terceira e quarta geração, como lemos no segundo mandamento.

O método usado por Jeová para erradicar a idolatria, se baseava em cinco pontos.

1º) Proibição sob pena de morte por apedrejamento.

2º) Vingança sobre a descendência até a terceira ou quarta geração (Ex. 20:4-5; Dt. 13:6-10; 17:3-5).

3º) Promessa de premiar a fidelidade (Dt. 7:9).

4º) Desmoralizar os outros deuses ou ídolos (I Rs. 18:27).

5º) Promover-se através dos profetas e dos salmistas. Moisés falou: “Jeová, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas? (Ex. 15:11).“Jeová vosso deus é o deus dos deuses, e o senhor dos senhores, o deus grande, poderoso e terrível” (Dt. 10:17)“Grande é Jeová, e digno de louvor, mais tremendo do que todos os deuses” (Sl. 96:4)“Tu Jeová, és o altíssimo em toda a Terra; muito mais elevado do que todos os deuses” (Sl. 97:9). Na sua guerra contra os ídolos (deuses), Jeová se media com aqueles deuses. Ao tirar o povo do Egito, declarou: “Eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei a todos os primogênitos na terra do Egito, desde os homens até os animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos; eu sou Jeová” (Ex. 12:12). No livro de Númeroslemos: “Enterrando os egípcios os que Jeová tinha ferido entre eles, a todo o primogênito, e havendo Jeová executado os seus juízos nos seus deuses” (Nm. 33:4). Estas duas narrações juntas provam que o juízo de Jeová sobre os deuses do Egito foi matar todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais. Por que Jeová cometeu esse crime contra vítimas inocentes? Os animais não têm entendimento, e entre os primogênitos dos homens havia muitas crianças inocentes. O motivo é simples: Os sacrifícios faziam parte da religião dos povos. Os primogênitos dos animais eram oferecidos em sacrifício aos deuses nos cultos, pois as primícias são para os deuses. “E o sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente a cidade, trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria com a multidão sacrificar” (At. 14:13). Isto acontecia nos dias de Paulo e Pedro. A carne desses sacrifícios era vendida nos açougues (I Co. 8:4-7). Também era costume sacrificar os primogênitos para aplacar a ira dos deuses. Os cananeus, que habitavam a terra prometida, tinham este costume, e Israel o adotou. “Acaz, rei de Judá, queimou seu filho em sacrifício aos deuses, segundo as abominações dos gentios, que Jeová não lançou fora conforme a promessa” (II Rs. 16:3; Ex. 34:23-24; Lv. 18:24; Dt. 7:1)“Estas são as nações que Jeová deixou ficar em Canaã, para por elas provar a Israel. Cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus” (Jz. 3:1-8). Destruindo os primogênitos, o povo não podia sacrificar aos seus deuses. Este foi o juízo sobre os deuses.

Conclusão deste estudo:

  1. Atrás daqueles ídolos de pau e pedra, que, como disse Jeová, não andam, não falam, não ouvem, etc, estavam diabos e demônios, como disse Moisés. “Com deuses estranhos o provocaram a zelos; sacrifícios ofereceram aos diabos, e não a deus” (Dt. 32:16-17)“Nunca mais sacrificarão os seus sacrifícios aos demônios, após aos quais eles se prostituem” (Lv. 17:7-9). O interessante é que Jeová reclamava para si aqueles sacrifícios (Lv. 17:9; Dt. 32:17). Jeová se igualava aos demônios e aos diabos que estavam por trás dos ídolos, aceitando os mesmos sacrifícios abomináveis. Jeroboão, filho de Nebate fez dois bezerros de ouro, e pôs um em Betel e outro em Dã, para afastar o povo do templo em Jerusalém (I Rs. 12:26-30). Atrás destes bezerros havia demônios (II Cr. 11:14-15). Jeová nunca conseguiu extirpar a idolatria de Israel. E por quê? Os demônios não ameaçavam e Jeová ameaçava. Os demônios não se vingavam e Jeová se vingava. Os demônios não lançavam maldições como Jeová. Pela violência não se consegue nada, e Jeová perdeu a guerra contra os demônios. A única solução foi destruir seu próprio povo (II Rs. 17:16-21; 23:26-27).
  2. Jeová odiava os egípcios e não os queria salvar (Gn. 15:13-14; Ex. 4:21; 12:29; 14:27-28). A glória de Jeová foi destruir os egípcios (Ex. 15:1-7). A pergunta é a seguinte: Se Jeová não queria salvar os egípcios, porque executou juízos sobre os seus deuses? (Ex. 12:12). Demagogia. O objetivo era promover-se matando formigas. Quando a arca de Jeová foi tomada pelos filisteus, e colocada junto a Dagom, deus dos filisteus, no dia seguinte Dagom estava caído. Jeová então feriu os filisteus com hemorróidas, e encheu a cidade de ratos. A pergunta é a mesma. Por que Jeová desmoralizou o deus dos filisteus se os não queria salvar? A resposta é: Queria promover-se. Queria revelar sua glória destruidora e odiosa sem nenhum propósito salvador. Pura demagogia (I Sm. 5:1-12; 6:4), Jeová criava o temor pelo terror (Dt. 2:25; 11:25; Jr. 7:15; I Cr. 21:30).
  3. Os sacrifícios da lei de Jeová eram uma réplica dos outros povos, e Jeová os aceitava (Ex. 20:24; Dt. 12:11; Dt. 32:17; Nm. 25:4). Sacrifícios que Deus, Pai de Jesus, não aceitou  (Hb. 10:4-8).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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