(472) – O REI E O PAI – III

O  REI  E  O  PAI  3

Jeová declara que os filhos de Israel são seus filhos, logo é o pai de Israel. Ele declarou a Faraó: “Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex. 4:22). “Filhos sois de Jeová vosso deus” (Dt. 14:1). O povo de Israel o reconhece como pai: “Mas agora, ó Jeová, tu és o nosso Pai” (Is.64:8). Jeová é pai, mas é também rei. É o rei de Israel (Is. 43:15). É o rei das nações ímpias, corruptas e idólatras: “Dizei entre as nações: Jeová reina; o mundo também se firmará para que se não abale” (Sl. 96:10). “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl. 47:8). “Porque o reino é de Jeová, e ele governa entre as nações” (Sl. 22:28).

A diferença entre o rei e o Pai, é que, o rei põe o interesse do reino acima dos direitos do povo e do indivíduo, e o Pai põe seu interesse no povo e no indivíduo. Por que acontece isso? Porque o reino de Jeová é neste mundo, e o reino do Pai não é neste mundo:

1)   O rei castiga impiedosamente seus filhos, que são o seu povo, e os mata cruelmente quando desobedecem, dizendo: “Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim, porque são geração de perversidade, filhos em quem não há lealdade. A zelos me provocaram com aquilo que não era deus, com as suas vaidades me provocaram à ira; portanto eu os provocarei a zelos com os que não são povo, com nação louca os despertarei à ira. Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade, e abrasará os fundamentos dos montes. Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei sobre eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo e de peste amarga, e entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó. Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao mancebo, juntamente  com a virgem, assim à criança de mama, como o velho de cãs”  (Dt. 32:20-25).

O pai é exatamente o contrário, pois ama tanto os homens, que enviou do céu a seu unigênito Filho, para morrer na cruz pelos pecados de todos, e assim resgatá-los da condenação de Jeová: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). “O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gl. 1:4). “Cristo nos resgatou das maldições da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gl. 3:13).

2)   O rei estabelece leis, que desobedecidas trazem castigos, maldições e morte, por isso Paulo diz: “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era passageira” (II Co. 3:7). É a lei que imputa o pecado, pois Jeová declara: A alma que pecar morrerá” (Ez. 18:4, 20).

O Pai, em contrário, envia seu Filho para nos tirar da lei, e também do pecado, porque a força do pecado é a lei (I Co. 15:56; Rm. 6:14). A lei ficou velha e decrépita, como diz Paulo: “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos a Deus em novidade de Espírito, e não na velhice da letra” (Rm. 7:6). Os cristãos que crêem em Cristo, recebem o Espírito Santo após o batismo (At. 2:38), e o Espírito Santo os guia sem a lei (Gl. 5:18), ensina todas as coisas (Jo. 14:26), guia na vida íntima e pública, revelando ao mundo que somos filhos de Deus (Rm. 8:14); o Espírito Santo confere aos fiéis dons celestiais para substituir os vícios do mundo e da carne (I Co. 12:7-11); e revela todos os mistérios do reino dos céus (I Co. 2:7-10); por último enche o coração dos santos de amor (Rm. 5:5). A lei nada faz senão acusar, imputar o pecado, e matar. Essa é a glória do ministério do Espírito (II Co. 3:7-8).

3)   Num reino a glória é toda do rei, por isso Jeová, o rei, diz: “Eu sou Jeová, este é o meu nome; a minha glória pois a outrem não darei” (Is. 42:8). E Jeová se orgulha de ser rei, dizendo: “Moabe está destruído, e subiu das suas cidades, e os seus mancebos escolhidos desceram à matança, diz o Rei, cujo nome é o Jeová dos Exércitos” (Jr. 48:15). Quem dá muito valor ao seu trono, não reparte a glória com ninguém. Jeová fala novamente da sua vaidade: “Por amor de mim, por amor de mim o farei, como seria profanado o meu nome? E a minha glória a outrem não darei” (Is. 48:11).

Com o Pai é diferente, pois numa família a glória é de todos. Jesus recebeu do Pai glória e honra:“Porquanto ele recebeu de Deus Pai glória e honra, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” (II Pd. 1:17). E Jesus declara bem alto: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo. 17:22).

Com Jeová, o rei, os sacerdotes são servos, os profetas são servos, os reis de Israel são servos, o povo está debaixo de servidão (II Cr. 12:7-8); e a herança que Jeová dá é Canaã, terra de cananeus corruptos, que Israel teve de tomar com as armas, mas não conseguiu.

Com Jesus, toda a Igreja, que é a família de Deus, e que forma a família Deus Pai, recebe um reino celestial e eterno, e de graça, só porque revelou na sua vida a caridade de Deus (Mt. 25:31-40; Hb. 11:8-10; I Pd. 1:3-4).            Glória a Deus Pai!

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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