(167) – A CHAGA

A CHAGA

         Chaga é ferida aberta. Os cravos produziram chagas nas mãos e nos pés de Jesus. Na linguagem poética da literatura, chaga é dor moral (Esta saudade é chaga que não se cura). Por o dedo na chaga é ferir o orgulho de alguém, ou o seu ponto fraco. Todo gozador vive pondo o dedo nas chagas das pessoas, e por isso se tornam antipáticos e indesejáveis.

Na linguagem figurada das Escrituras sagradas, chaga é defeito moral (Lc. 16:19-20). “Ai da nação pecadora, do povo carregado de iniquidade, da semente de malignos, dos filhos corruptores;  deixaram Jeová, blasfemaram do santo de Israel, voltaram para traz. Porque seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo” (Is. 1:4-6).

A Escritura aplica a palavra chaga também para dor moral: “Ai de mim, por causa do meu quebrantamento! A minha chaga me causa grande dor;  eu havia dito: Certamente isto é enfermidade que eu poderei suportar” (Jr. 10:19). O profeta Jeremias, entretanto, usa a palavra chaga, de forma mais incisiva  para o pecado de Israel: “Portanto lhes dirás esta palavra. Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está ferida de grande ferida, e de chaga mui dolorosa” (Jr. 14:17)“Porque assim diz Jeová: Teu quebrantamento é mortal, a tua chaga é dolorosa” (Jr. 30:12). O rei Davi, depois que cometeu um adultério e um homicídio doloso, pois matou o marido para poder casar com a mulher adúltera, assim se expressou: “As minhas iniquidades ultrapassam a minha cabeça; como carga pesada são demais para as minhas forças. As minhas chagas cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura” (Sl. 38:4-5).

Os cristãos estão absolutamente convencidos de que as Escrituras, tanto do Novo como do Velho Testamento, são infalíveis, isto é, sendo toda a Escritura, de capa a capa, palavra de Deus, não há erros, nem contradições. É tudo verdade que não pode ser tocada pelo dedo do homem. Baseados nesta convicção teológica e universal, transcrevemos os seguintes textos: “Vinde, tornemos para Jeová, porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará” (Os. 6:1)“Eis que bem aventurado é o homem a quem deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso. Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as seus mãos curam” (Jó 5:17-18). Toda as chagas, sejam de que tipo for, são produzidas por Jeová, com o objetivo profilático. O método usado por Jeová para extirpar o mal do seu povo era produzir chagas dolorosas. Por incrível que pareça, declarando-se Jeová o deus todo poderoso, as chagas foram muitas, mas nunca houve cura. O povo não cometia atos reprováveis por  medo ou pavor, e não porque estava curado. Repressão não cura criminosos.

É o próprio Jeová que confessa o fracasso do seu método: “Porque a sua chaga é incurável, porque chegou até Judá; estendeu-se até a porta do meu povo, até Jerusalém” (Mq. 1:9)“Não há cura para a tua ferida; a tua chaga é dolorosa. Todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malícia” (Na. 3:19).

O problema não é de Israel mas de Jeová, que afirmou que é o autor das chagas, para com isso curar o mal do povo. PORQUE TE RESTAURAREI A SAÚDE, E TE SARAREI AS TUAS CHAGAS, DIZ JEOVÁ” (Jr. 30:17).

Vamos analisar como Jeová produz as chagas. José, filho de Jacó, afirma que tudo o que aconteceu na sua vida, foi feito por Jeová: “Deus me enviou diante da vossa face, para conservar a vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, como regente em toda a terra do Egito” (Gn. 45:7-8). Ora, os dez irmãos de José, por inveja, queriam matá-lo, mas por interferência de Rubem, o venderam como escravo a uns ismaelitas, que o levaram ao Egito, e o venderam a Potifar, eunuco de Faraó e capitão da guarda (Gn. 37:11, 20-21; 37:26-27; 39:1). Sendo assim, a inveja e ódio dos irmãos de José foi obra de Jeová. José, como senhor do Egito, mandou buscar seu pai Jacó, e toda a família, em número de setenta almas (Gn. 46:26-27). A família de Jacó se multiplicou no Egito, e absorveu os vícios e os pecados do Egito, isto é, o povo se corrompeu. Estava assim formada a chaga. Havia uma outra chaga, A dor da escravidão. Jeová então se propõe a curar as duas chagas. Com a libertação curaria a dor da alma e com a lei curaria a corrupção. E para tanto, enviou Moisés para a realização de tão grandiosa obra. Com o poder de produzir pragas e pestes, dado por Jeová, Moisés conseguiu libertar o povo de Israel, mas também conseguiu que os egípcios se tornassem inimigos de deus para sempre. Moisés levou o povo ao pé do Monte Sinai, e lá Jeová falou a Moisés dizendo: “Fala aos filhos de Israel, e dizei-lhes: Eu sou Jeová, vosso deus, Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem farás segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos, e os meus estatutos guardareis”(Lv. 18:2-4). Pois bem. Israel não deixou os costumes da terra do Egito, e ainda mais se corrompeu em Canaã, pois os cananeus deixados lá por Jeová, eram todos sodomitas (Jd. 5; Is. 1:10) que diz: “Ouvi a palavra de Jeová, vós príncipes de Sodoma, e vós povo de Gomorra. Ezequiel detalha o que Israel aprendeu no Egito: “Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. Estas prostituíram-se no Egito; prostituíram-se na sua mocidade. E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto a seus somes, Samaria é Aolá, e Jerusalém Aolibá” (Ez. 23:3-8).

Jeová fez a chaga e não conseguiu curar. A única solução que Jeová achou foi entregar o seu povo às suas devassidões, e na mão dos amantes. Israel se prostituiu com os filhos da Assíria, e por isso foi entregue aos Assírios para sempre (Ez. 16:28, 39; II Rs. 17:20-23; Ez. 23:7-9).

Judá, isto é, Aolibá, se enamorou dos caldeus, e descobriu diante deles as suas devassidões (Ez. 23:15-18). Então Jeová entregou Judá aos babilônicos (Ez. 23:28). O apóstolo Paulo refere-se ao fato, dizendo: “Pelo que deus os abandonou às paixões infames” (Rm. 1:26). No Salmo 81 lemos: “O meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis, pelo que eu os entreguei aos desejos de seus corações” (Sl. 81:11-12).

Jeová faz as chagas, mas não conseguiu curar como prometeu ao seu povo e não teve outra saída senão entregá-los ao vício e aos amantes, e isto com ódio e vingança.

Se acontecesse de Jeová formar outro povo sem as chagas, não houve cura, pois o povo é outro. Os que tinham chagas foram destruídos e corrompidos.

Quem tem poder para curar chagas chama-se Jesus Cristo. Paulo, que foi curado, disse: “Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas passara, eis que tudo se fez novo” (II Co. 5:17).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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