(016) – OS DOIS CÁLICES

Deus, o único Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, ofereceu a todos os homens um cálice para beber. Que cálice é este? Jesus no-lo explica. “Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que se cumpra no reino de Deus. E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós; porque vos digo que já não beberei deste fruto da vide, até que venha o reino de Deus” (Lc.22:15-18).  Este é o cálice do amor de Deus. “Nisto está a caridade, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo.4:10).

E este amor é universal e total, incluindo toda a humanidade, tanto do Velho Testamento como do Novo e até o fim, por isso Jesus disse: “Eu sou o princípio e o fim” (Ap.22:13). Paulo  descreve  a  universalidade  desse amor divino com as seguintes palavras. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2 Co.5:19). Este é o cálice da salvação profetizado no Sl.116:13. O apóstolo Pedro afirma que as profecias a respeito de Cristo e da salvação foram feitas pelo próprio Jesus (1 Pd.1:9-11).

Havia no Velho Testamento um outro cálice que não revelava o mesmo amor: “Porque na mão de Jeová há um cálice, cujo vinho ferve, CHEIO DE MISTURA, E DÁ A BEBER DELE; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes” (Sl.75:8). Um Deus cheio de amor não anda pelo mundo recolhendo fezes. Esta tarefa seria própria para demônios.

Este cálice de fezes foi dado a Jerusalém por Jeová. “Desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão de Jeová o cálice do seu furor; bebeste e sorveste as fezes do cálice da vacilação” (Is.51:17). Este método de Jeová vai de encontro a todas as regras da psicologia, pois o homem é produto do meio em que vive. Uma criança vivendo no meio do lixo perde a noção de higiene. Eu preguei muito tempo na FEBEM para adolescentes, e um deles disse: “O senhor está perdendo tempo. Isto aqui é escola de crime e corrupção. Ninguém escapa”.

No livro dos Juizes lemos de sete cativeiros de Israel. Os povos de Canaã eram todos corrompidos e degenerados, e quando Jeová entregava Israel cativo, o povo era obrigado a se submeter aos costumes deletérios da nação (Lv.18:19-27). Pois bem, Israel foi vendida por Jeová ao rei da Mesopotâmia por oito anos para comer fezes (Jz.3:7-8). Libertos por Otniel, foram novamente entregues por Jeová na mão de Eglom, rei dos Moabitas por dezoito anos para comer fezes (Jz.3:12-14). Libertados por Eude, foram novamente vendidos por Jeová a Jabim, rei de Canaã por vinte anos para comer fezes (Jz.4:1-3). Foram depois libertados por Débora e Boraque. Sucederam-se no livro dos Juizes sete cativeiros e sete libertações. O povo ficou tão acostumado e adaptado a comer fezes, que no tempo de Samuel, o último Juiz, os sacerdotes Hofni e Fineias, filhos de Ely, se prostituíam com bandos de mulheres na porta da tenda da congregação (1 Sam.2:22).

Podemos fazer uma comparação entre o Jardim do Edem e Canaã. No Jardim havia duas árvores. A da vida e a da ciência do bem e do mal. A da ciência do bem e do mal era proibido comer ou tocar, mas Jeová colocou no Jardim a serpente que enganou Eva levando-a a comer as fezes da corrupção (Gên.3:1-6). Em Canaã havia o tabernáculo, como árvore da vida, e os povos corruptos como árvore da ciência do bem e do mal. Do bem, porque pelo sexo é possível a multiplicação da espécie, e do mal, porque o sexo é também a fonte de toda a degeneração da espécie.

Foi Jeová quem deixou em Canaã os povos que iam contaminar o seu povo eleito. “Estas, pois, são as nações que Jeová deixou ficar, para por elas provar a Israel” (Jz.3:1). “Cinco príncipes dos filisteus, e todos os cananeus, e sidônios, e heveus, que habitam nas montanhas do Líbano, desde o monte de Baal-Hermom, até a entrada de Hamate” (Jz.3:3).

Da mesma maneira que Jeová entregou o seu povo na mão dos  povos  corruptos  colocados  em  Canaã  pelo próprio Jeová, para  serem  corrompidos,  podemos  dizer que a serpente foi colocada no Jardim, e Adão e Eva, inocentes vítimas entregues na mão de Satanás para se perderem; foi o que aconteceu.

Quando Jeová projetava espalhar o seu povo entre as nações gentílicas para comerem as fezes da corrupção moral, como havia prometido em Deut.28:36-37,  quis obrigar o profeta Ezequiel a comer bolos feitos com fezes que saem do homem, e só não aconteceu porque Ezequiel chorou e implorou. Jeová, misericordioso, então lhe disse: “Está bem, faze os bolos com o esterco de vaca” (Ez.4:9-15).

A maioria da cristandade se deleita sorvendo cálices cheios de fezes, nos filmes pornográficos, novelas imorais, revistas pornô, e eu posso garantir que não é Jesus quem serve esses cálices.

Os servos de Cristo são de outra estirpe. “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo. O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo, aparta-se da iniquidade” (2 Tim.2:19).

“Qual ele é, somos nós também neste mundo” (1 Jo.4:17).

Tomemos o cálice da mão de Jesus, cálice do Novo Testamento, cálice da benção, dos dons do Espírito Santo e da graça eterna.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

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