(320) – JESUS E OS ANJOS

JESUS  E  OS  ANJOS

            Este mundo onde vivemos, era regido por Jeová, o Rei“Vivo eu, diz o Rei, cujo nome é Jeová” (Jr. 46:18). A Bíblia revela que Jeová é o rei deste mundo: “Porque Jeová Altíssimo é tremendo, e Rei grande sobre toda a terra” (Sl. 47:2). “Jeová reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl. 47:8). E Jeová reinava através dos seus ministros os anjos, dos quais diz Jeová: “Faz dos ventos seus mensageiros, dos seus ministros um fogo abrasador” (Sl. 104:4).Como sabemos que este texto se refere aos anjos? Porque na carta aos Hebreus, lemos“E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labareda de fogo” (Hb. 1:7).Sobre a forma de reger os reinos deste mundo, o Velho Testamento diz: “Jeová tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei a Jeová, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra. Bendizei a Jeová, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito” (Sl. 103:19-21).

O profeta Daniel conta que, à margem do grande rio Hidequel, lhe apareceu um homem vestido de linho, tendo os lombos cingidos com ouro fino de Ufaz. O seu corpo era como uma turquesa, e o seu rosto parecia como relâmpago, e os olhos como tochas de fogo (Dn. 10:4-6). Era um anjo de Jeová, que lhe disse: “O príncipe do reino da Pérsia se pôs diante de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia” (Dn. 10:13). Os anjos estavam em guerra, e Miguel foi ajudar o homem dos olhos de fogo, e cingido de ouro de Ufaz, que logo em seguida diz a Daniel“Sabes porque eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe do persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. Mas eu te declararei o que está escrito na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe” (Dn. 10:20-21). Cada nação e cada reino tem o seu príncipe, isto é, o seu anjo, que comanda as guerras com o fim de dominar e escravizar os homens. E cada anjo, prestava contas a Jeová; o senhor dos exércitos que comanda as guerras, e tem um livro onde se acham programadas essas guerras (Nm. 21:14).

Pois bem. Os anjos nunca foram submissos a Jesus. Paulo explica o fenômeno; revelando que Jesus só se tornou Senhor dos céus e da terra após a ressurreição. Leiamos: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, e sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, na terra, e debaixo da terra” (Fl. 2:8-10). Ora, os que estão nos céus são os anjos. Se foram obrigados a dobrar os joelhos diante de Jesus, é porque antes não se dobravam. O apóstolo Pedro nos diz que Jesus, após a ressurreição, subiu aos céus, e está assentado à dextra de Deus, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, as autoridades, e as potências (I Pd. 3:21-22).

Como os anjos iam se submeter a Jesus, o humilde carpinteiro, e feito menor do que eles, por amor aos homens condenados, e debaixo do jugo dos anjos? Mais uma vez, a carta aos Hebreus esclarece o assunto“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb. 2:9). E Jesus, nascido em carne do pecado (Rm. 8:3), por ser menor do que os anjos, não era príncipe nem salvador: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vos matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus com sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados” (At. 5:30-31).

O mistério ainda não revelado é que, sendo Jeová o rei dos reis deste mundo, e tendo os anjos submetidos ao seu poder, quando e como Satanás recebeu todos os reinos, pois ele declarou isso, e Jesus não desmentiu: “E o diabo, levando Jesus a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos deste mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lc. 4:5-7). Quando lemos: “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, do qual falamos” (Hb. 2:5), este texto deixa claro que este mundo, antes de Jesus Cristo era submetido e governado pelos anjos, e os anjos não eram submetidos a Jesus, porque Jesus, o filho do homem, era um pouco menor do que os anjos. O mundo futuro de Hb. 2:5 é o mesmo mundo vindouro de Jesus, que declarou: “Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos” (Lc. 20:35). Esse mundo vindouro é o reino de Deus: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus” (Lc. 16:16). 

Como terminou a dispensação dos anjos, ministros de Jeová? Este foi um dos objetivos da encarnação do verbo: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl. 2:14-15).E agora, os anjos, cheios de poder, que governavam neste mundo e promoviam as guerras; os anjos, todos cingidos de ouro, cujo corpo era como turquesa, de rosto como relâmpago, e olhos como tochas de fogo, agora despojados por Cristo, e submetidos a seus pés depois da ressurreição, estão obrigados a adorá-lo contra a vontade, pois assim está escrito: “E quando outra vez introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb. 1:6). E o que é pior, eles, que julgavam os homens sem piedade, serão julgados pelos santos, porém, com piedade“Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida” (I Co. 6:3). Jesus salva os homens das potestades das trevas, e pela graça livra os crentes do jugo da lei, que foi ordenada pelos anjos (At. 7:53; Gl. 3:19).

Há outro mistério não explicado nos nossos dias. Os cristãos andam buscando os anjos. Isso equivale a desprezar o Senhor Jesus, que disse“Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt. 28:20). E se os anjos se submeteram a Cristo contra a vontade, é óbvio que não vão amparar os crentes. Quem tem olhos para ver, veja.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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