(206) – O USURPADOR

O USURPADOR

 

Quando Paulo fala que Jesus Cristo não teve por usurpação ser igual a Deus, o apóstolo dos gentios está revelando que um outro usurpou o título de Deus (Fp. 2:6). Quem é esse usurpador maligno que pretende ofuscar a glória de Deus, isto é, seu poder, sua criação, sua glória, sua honra? Todos os teólogos e todos os ignorantes afirmam que é o diabo ou Satanás. Satanás declarou a Jesus que tudo lhe foi entregue (Lc. 4:5-6). Ora, o dicionário diz que usurpador é aquele que, por meios ilícitos e injustos se apodera do poder do soberano. Se o diabo estivesse mentindo, Jesus falaria; porém, o seu silêncio foi sinal de concordância.

Quem recebe de presente não é usurpador. Nabucodonosor é figura de Satanás. Quem revela esse mistério é o profeta Isaías, no capítulo 14 do seu livro. Quem fala pela boca de Isaías é Jeová que lhe disse: “Tu proferirás este dito ao rei da Babilônia” (Is. 14:4). “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei; da banda dos lados do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo” (Is. 14:12-15). A idéia que este trecho da Escritura deixa, é que Nabucodonosor se exaltou a si próprio por soberba, e quis ser como Deus, mas a realidade não é essa. O profeta Jeremias conta em detalhes o que aconteceu. Leiamos o que Jeremias fala de Jeová: “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou àquele que me agrada em meus olhos. E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações o servirão a ele, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reinos se servirão dele. E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, diz Jeová, até que a consuma pela sua mão” (Jr. 27:5-8). A figura é clara. Jeová estava por trás de Nabucodonosor, seu servo, e lhe entregou os reinos deste mundo. O reino que resistisse, Jeová destruiria pela fome, pela espada, e pela peste. O texto de Isaías 14 é aplicado a Satanás, segundo a teologia. Sendo assim Jeová está por trás de Satanás, seu servo, e lhe deu tudo, de mão beijada. Logo se vê que Satanás não usurpou nada, pois foi herdeiro de Jeová. Vamos repetir. Isaías, o profeta, faz uma declaração sobre a soberba de Nabucodonosor, que envaidecido pelo poder, exigiu adoração como deus. O profeta Daniel registra a história da estátua de ouro desse rei. Quem não adorasse prostrado, morreria (Dn. 3:1-6). A teologia, isto é, os doutores em religião aplicaram a profecia de Isaías 14 a Satanás. Jeremias, outro grande profeta, revelou que quem entregou tudo a Nabucodonosor foi Jeová (Jr. 27:5-8). Satanás declara para Jesus que os reinos deste mundo lhe foram entregues de presente (Lc. 4:5-8). A conclusão é lógica e irrefutável. Se Nabucodonosor é figura do diabo, o diabo não é usurpador, pois recebeu tudo de graça. E Jeová o chama de servo. A outra conclusão lógica é que existe um outro que é o usurpador. Quem é esse outro? Jesus Cristo não é, pois Paulo diz: “Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

Na revista “Defesa da Fé” n.8 — Setembro — Outubro de 1998, o teólogo Esequias Soares, na época presidente dessa polêmica revista, escreveu um artigo combatendo e criticando o livro “JEOVÁ, Falso deus”, de autoria de Olavo Silveira Pereira; declarou que Jeová é Jesus, isto é, ambos são a mesma pessoa. Vamos transcrever o texto da última página do referido artigo. “Quem é esse Jeová, de quem João Batista foi o precursor? O próprio João diz que é Jesus: Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.(Jõ 3:28). Terminando o artigo, Esequias Soares diz: “Quem é este Jeová, deus de Israel, que entrou por esta porta? É Jesus, o profeta de Nazaré”. Dizer que Jesus chamava Jeová de pai da mentira em João 8:44 é simplesmente absurdo e sobretudo blasfêmia, pois o próprio Jesus é o deus Jeová. Esequias gastou quase uma página da revista tentando provar que Jesus é o deus da glória, usando textos sobre Jeová; e com isso criou uma confusão.

  1. Jesus nunca buscou glória. “Eu não busco a minha glória” (Jo. 8:50). Jeová sempre buscou glória. “A todos que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória” (Is. 43:7). Por isso Jeová é o rei da glória (Sl. 24:7-10).
  2. Jesus não recebe glória dos homens (Jo. 5:41). Jeová recebe. “Dai a Jeová, ó filhos dos poderosos, daí a Jeová glória e força. Daí a Jeová a glória devida ao seu nome” (Sl. 29:1-2; I Cr. 16:28-29).
  3. Jeová não reparte sua glória com ninguém. “Eu sou Jeová, este é o meu nome; a minha glória pois a outrem não darei” (Is. 42:8). Jesus recebeu do Pai glória e honra quando foi batizado (II Pd. 1:17). Se recebeu é porque não tinha. E repartiu a glória com os discípulos. “Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo.  17:22).
  4. A glória de Jeová era conseguida com pragas e pestes (Nm. 14:22). A obra de Jesus foi curar e salvar as vítimas das pestes e pragas de Jeová; pois Jeová afirma que todos os males, sejam quais forem, procedem todos dele (Am. 3:6).
  5. Jeová se declarou único deus, afirmando que fora dele, não há outro deus. “Assim diz Jeová, rei de Israel, e seu redentor, Jeová dos Exércitos: “Eu sou o primeiro e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Is. 44:6). “Eu sou Jeová e, não há outro fora de mim não há Deus, para que se saiba desde o nascente do Sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro: eu sou Jeová e não há outro (Is. 45:5-6). A ti te foi mostrado para que soubesses que Jeová é deus; nenhum outro há senão ele” (Dt. 4:35).Estes trechos sobre Jeová negam a trindade, isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E mais. Quando Jesus ressuscitou Lázaro, orou ao Pai que estava no céu. Jesus porém estava na terra, logo Deus estava fora dele; como diz Jeová que fora dele não há Deus? Depois de ressuscitado Jesus disse a Marta: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu pai, mas vai para meus irmãos e diz-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”. Fora de Jesus estava o Pai, e Jeová negou isso muitas vezes, pois queria a glória só para ele. Se Jesus fosse Jeová seria usurpador. Nós cremos no que Paulo falou, dizendo que Cristo, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo fazendo-se semelhante aos homens. Jeová usurpou a glória de Deus, sujou a bondade de Deus com suas matanças, destruições em massa por meio de pestes malignas. O primeiro a usar a antraz foi Jeová (Dt. 32:22-24). Mas o Pai é amor, e salva a todos (I Tm. 4:10).
  6. Jesus é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente (Hb. 13:8). Se Jesus e Jeová são a mesma pessoa, Jesus era um no Velho Testamento, iracundo, vingativo e egoísta. No Novo Testamento é manso e humilde, piedoso e perdoador. Afirmar que Jeová é Jesus é pregar violência, maldade, crueldade e ódio eterno. Mas Deus é amor.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

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