(313) – GLÓRIA DE DEUS

GLÓRIA  DE  DEUS

         “Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (II Pd. 1:2-4). Poderá o cristão conhecer a Deus verdadeiramente? Poderá o cristão ser participante da natureza divina? Poderá o cristão, participando da natureza divina, escapar da corrupção que pela concupiscência há no mundo?

Só podemos ter alguma noção da glória de Deus conhecendo-o, mas Jesus disse: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). Os judeus conheciam o carpinteiro, filho de José; e de mãos calejadas (Mc. 6:1-3). Jamais podiam imaginar que atrás daquela aparência humilde estava o Messias ungido, o salvador de todos os homens, o juiz universal, o Deus encarnado (I Jo. 5:20). Em outra ocasião, Jesus declarou aos religiosos judeus, que lhe perguntaram: “Onde está teu Pai?”, ao que Jesus respondeu: “Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo. 8:19). Os príncipes dos sacerdotes, os fariseus, os escribas, os saduceus, nenhum deles conheceu Jesus, e não conhecendo Jesus também não conheceram o Pai. Paulo disse: “Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu, porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória” (I Co. 2:7-8). João disse: “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo. 1:10- 11). Não conhecendo a Cristo, não conheceram o Pai; não recebendo a Cristo não receberam o Pai. Como iam tributar glória àquele que não conheceram? Não glorificando a Jesus Cristo não glorificaram o Pai. João fala novamente dizendo: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” (Jo. 5:23). E João continua dizendo: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho, tem também o Pai” (I Jo. 2:23). Os judeus negaram a Cristo, e o entregaram para ser crucificado como impostor, e até hoje não o aceitam, logo não conhecem o Pai, não honram ao Pai, e não tributam glória ao Deus Pai. E se os judeus que eram o povo escolhido, não glorificam a Deus, os gentios muito menos. Muitos cristãos e doutores dos nossos dias dirão: Nós glorificamos a Deus, e vivemos para a glória de Deus. Há um detalhe que deve ser considerado: Os cristãos crêem no mesmo deus que os judeus conheciam e adoravam quando crucificaram a Jesus.

E Jesus declarou em alta voz: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo. 14:6). O deus que os israelitas conheceram, não o conheceram através de Cristo, mas através de Moisés, que foi o mediador (Gl. 3:19). Os crentes insistem em glorificar o deus que se revelou sem Jesus, e antes de Jesus, e que era ávido de glória.

Jesus, o Pai, e o Espírito Santo são uma só essência, por isso, sendo três pessoas, são uma só verdade. Este é o mistério da trindade. Jesus então declarou: “Eu e o Pai somos um” (Jo.10:30). E Jesus disse mais: “Eu não busco a minha glória” (Jo. 8:50). Como Jesus e o Pai são um, o Pai também não busca glória. E Jesus continua, falando: “Eu não recebo glória dos homens” (Jo. 5:41).Como Jesus e o Pai são um em essência, o Pai também não recebe glória dos homens. E por que o Pai e o Filho não recebem glória dos homens? Porque os homens mudam. Os mesmos que glorificaram a Cristo, quando entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, clamando: Hosana ao filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas maiores alturas; esse mesmo povo entregou Jesus para ser crucificado (Mt. 21:8-10; 27:20-25).

Há outro detalhe a ser considerado ainda. Os adoradores de Jeová argumentam que Jeová deus se manifestou a eles, mas eles não o conheceram porque estavam cegos pelo pecado e dureza de coração. Este argumento não cola, pois é Jeová que declara que se deu a conhecer: “Assim diz o senhor Jeová: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito” (Ez. 20:5). “O que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou Jeová, que faço a beneficência, juízo e justiça na terra” (Jr. 9:24). “Jeová é conhecido pelo juízo que fez” (Sl. 9:16). “Conhecido é deus em Judá, grande é o seu nome em Israel.” (Sl. 76:1). “Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e de Babilônia” (Sl. 87:4). São fartos os textos nos quais o próprio Jeová afirma ser conhecido. Mas Jesus afirma, como vimos acima, que ninguém conhece o Pai. Jesus deveria ter dito: Vocês não me reconhecem, mas conhecem o Pai, que me enviou. Os judeus davam glória a Jeová, e não deram a Jesus, e Jesus declarou que eles não conheceram o Pai, que o enviou. Nós ficamos com Jesus. Quando Jesus voltar, os verdadeiros hereges serão conhecidos.

Não crendo em Jesus, eles não glorificaram o Pai, pois para glorificar ao Pai deveriam crer em Jesus. Como dissemos no princípio, Jesus não recebe glória dos homens (Jo. 5:41). E obviamente o Pai também não recebe glória dos homens. Mas Jesus declarou, dizendo ao Pai: “EU GLORIFIQUEI-TE NA TERRA, TENDO CONSUMADO A OBRA QUE ME DESTE A FAZER. E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo. 17:4-5).Homem nenhum poderia realizar a obra que Cristo realizou, logo jamais poderia glorificar a Deus. Deus, o Pai, só recebe glória do Filho unigênito, e o Filho só recebe glória de Deus, o Pai, por isso Pedro declarou: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (II Pd. 1:17).

Só Jesus pode glorificar a Deus Pai, porque o Pai só pode ser conhecido, não através de Cristo, mas em Cristo. “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18). Só Jesus pode glorificar o Pai, pois na carta aos Hebreus lemos: “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor de sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hb. 1:2-3).

Como ficam os cristãos? Só servem para a vergonha de Deus e de Jesus? Não! Nós os cristãos, fomos predestinados, segundo a vontade de Deus, com o fim de sermos para louvor da sua glória (Ef. 1:11-12). A nossa e vida e nossas obras, arrancam dos ímpios os louvores. Quem glorifica a Deus, são os não crentes. Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céu” (Mt. 5:16).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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