(215) – FÁBULAS – II

FÁBULAS – 2

     Tudo o que está fora da realidade pode ser fábula. Vamos narrar uma realidade. Havia uma pequena cidade onde os romanos ricos faziam recreio, de nome Pompéia. Ficava situada ao pé do monte Vesúvio.  No ano 79, o Vulcão entrou em erupção, e a cidade foi soterrada debaixo de espessas camadas de cinzas e de lava ardente, todos pereceram. Essa história é real e pode se repetir normalmente. Se essa erupção fosse provocada por um poder sobrenatural, deixaria de ser realidade para ser uma coisa fabulosa, isto é, uma fábula, uma coisa artificial. Queremos deixar claro que uma coisa sobrenatural pode ser uma realidade, como por exemplo, a encarnação do Verbo  (Jo. 1:14). Todos os homens só passam a existir a partir da fecundação no ventre da mulher. Com Jesus foi diferente. Ele tinha existência eterna antes de ser fecundado no ventre de Maria. É por isso que João diz: “O VERBO SE FEZ CARNE” (Jo. 1:14). Como verbo era Deus, e como carne era homem. No princípio da Igreja houve grande discussão sobre esse fato sobrenatural, porém real. Citaremos alguns, cujas doutrinas abalaram as igrejas da época, e que foram combatidos numa guerra sem tréguas até sucumbirem. Ario (280 a 336 DC) fundou a seita dos arianistas. Afirmavam que Jesus Cristo era apenas uma criatura de Deus, e de natureza inferior, sujeita às mesmas fraquezas e apetites dos homens. Não aceitavam a divindade de Cristo, nem a unidade da trindade, isto é, a unidade do Pai, Filho, e Espírito Santo. Esta doutrina apoiada por alguns imperadores de Constantinopla, e por vários reis bárbaros, abalou o poder do catolicismo na época. Ario era padre da Igreja de Constantinopla, e portanto um dissidente da doutrina existente.

Nestório (428 DC), fundador do Nestorianismo, ensinava que o Filho de Deus se unira moralmente à pessoa  humana de Jesus, e neste caso, Maria não foi mãe de Deus, mas do Jesus humano. Para ele, em Cristo havia duas naturezas. Nestório foi  patriarca da Igreja de Alexandria, foi deposto pelo Concílio de Éfeso no ano 431 DC.

Sabélio, discípulo de Noetus, membro da Igreja de Smirna, lá pelo século terceiro, fundou o sabelianismo. Para eles a santíssima trindade não se compunha de três pessoas distintas, mas que na realidade só existia um Deus que se apresentou de três formas diferentes.

A grande verdade, porém, aceita por todas as Igrejas cristãs de hoje, é que o Verbo, no princípio era Deus e estava com Deus; todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Jo. 1:1-3). Ele desceu do céu e encarnou, fazendo-se semelhante aos homens, para salvá-los da condenação (Jo. 1:14). Jesus, quando falava do pão do céu aos discípulos, vendo que estavam assustados, disse-lhes: “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?” (Jo. 6:62). Falando sobre o mistério do novo nascimento a Nicodemus, príncipe dos Judeus, farizeu, e vendo que ele estava confuso, lhe disse: “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis se vos falar das celestiais? Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu” (Jo. 3:12-13). Com esta declaração Jesus nega que antes dele encarnar, algum ser celestial tenha descido ou subido ao céu. O que  queremos salientar, é que a encarnação do Verbo não é uma fábula, mas uma grande realidade apesar de ser uma coisa sobrenatural, pois Jesus revelou no seu ministério o poder sobrenatural de Deus Pai, expulsando demônios, curando todo tipo de enfermidade maligna, fazendo andar coxos e aleijados, ressuscitando mortos, multiplicando pães e peixes, transfigurando- se no cume do monte Hermom ante os olhos esbugalhados de Pedro, Tiago e João. Tudo sobrenatural, porém realidade. Nada de fábulas.

O apóstolo Paulo, escrevendo a Tito, diz: “Não dando ouvidos às fábulas Judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade”. Tito 1:14. As fábulas a que Paulo se refere estão no contexto da Epístola. No verso dez ele diz: “Porque há muitos desordenados faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão” (Tt. 1:10). Os adeptos da circuncisão é que ensinavam as tais fábulas. E Paulo continua: “Mas, não entre em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei, porque são coisas inúteis e vãs” (Tt. 3:9). Podemos deduzir que as fábulas estavam também ligadas à lei de Jeová, e às genealogias. Pedro declara: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade” (II Pd. 1:16).

Vamos narrar uma história judaica com cheiro de fábula. José sonhou que o Sol, a Lua e onze irmãos seriam as onze estrelas (Gn. 37:9). Seus irmãos, por inveja, venderam-no a uns ismaelitas  no deserto(Gn. 37:27). Os ismaelitas o venderam a Potifar, eunuco de Faraó, no Egito (Gn. 37:36). A mulher de Potifar, ofendida porque José não se deixou seduzir, acusou-o diante do marido, que mandou José para o cárcere (Gn. 39:13-20). O copeiro e o padeiro de Faraó também foram presos. José interpretou seus sonhos, nos quais o copeiro seria restaurado no seu posto anterior, e o padeiro seria morto (Gn. 40:5-20). Aconteceu exatamente como José falou interpretando os sonhos.

Depois disso, Faraó sonhou dois sonhos. No primeiro, sete vacas gordas pastavam, e apareceram outras sete vacas magras que devoraram as gordas. E sonhou Faraó outro sonho, no qual num pé de trigo nasceram sete espigas cheias e boas, e em seguida, no mesmo pé, surgiram outras espigas magras e miúdas que devoraram as sete  cheias. Nenhum mago do Egito soube interpretar. O copeiro lembrou de José, que trazido à  presença de Faraó interpretou os sonhos. Eram sete anos de fartura seguidos de sete anos de fome. Faraó, maravilhado, põe José como governador do Egito. Este, orientado por Jeová, plantou trigo e colheu por sete anos. Chegaram os sete  anos de fome, e Faraó ganhou bilhões vendendo o trigo aos famintos (Gn. 41:25-30). Nesse tempo, José mandou buscar sua família para morar no Egito, na terra de Goshem. Depois que José morreu, o povo de Israel, que muito se multiplicava, foi escravizado pelo Faraó seguinte. Analisando esta história, notamos que tudo foi  provocado. Nenhum acontecimento foi real, mas tudo artificial. A fome e a fartura do Egito foram artificialmente produzidas por Jeová. Nada foi natural e real. O ódio de Faraó pelos israelitas não era natural, mas artificial (Sl. 105:23-25). Essa história fabulosa não trouxe lucro algum para o povo de Israel, e a sua leitura não traz nenhum lucro espiritual para a Igreja. Primeiro porque José sentou na cadeira de Faraó e o enriqueceu, e Faraó é figura do diabo (Gn. 41:38-44; Ez. 29:3; Ap. 12:9). Essa história, na qual um servo de Deus senta no trono de Satanás para enriquecê-lo, é uma fábula artificialmente composta. Além de tudo, a história de José não consta da história do Egito antigo. E esta história fabulosa não aproveita a ninguém, mas tão somente a Jeová. Não aproveitou a Israel porque no Egito se corrompeu por 400 anos (Lv. 18:2-3). Não aproveita a Deus Pai porque lá Jeová só revelou ódio, vingança, pragas, pestes e morte de crianças. Não aproveita à Cristo porque os salvos de Jeová morreram no decerto debaixo da ira, comprometendo a graça de Deus revelada por Paulo no Novo Testamento. Não aproveita à Igreja porque lá Jeová deu o pão da morte (Ex. 16:4; Jo. 6:49, 58). Também lá Jeová tentou o povo e depois o destruiu quando caíram (Dt. 8:2-3; Hb. 3:17-18). Lá reinou o mal, e pelo mal Jeová se promoveu. Mas Jesus, pelo amor, promoveu o Pai (Jo. 7:18).

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

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