(251) – COERÊNCIA VII – A LEI DE JEOVÁ

COERÊNCIA VII

A LEI DE JEOVÁ

1.  É a lei que traz o conhecimento do pecado, pois sem a lei não há nem pecado e nem culpa. Paulo disse: “Onde não há lei não há transgressão (Rm. 4:15). E disse também: “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Ora, a lei proíbe a prática do mal, isto é, do pecado, e em vez de produzir santos pelo temor, produz paixão pelo pecado, pois tudo que é proibido é mais gostoso e desejado. É por isso que Paulo diz: “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei (I Co. 15:56). “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obravam em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm. 7:5). Ora, Paulo disse isso 1.500 anos depois, logo o povo de Israel permaneceu 1.500 anos debaixo das paixões dos pecados, e por causa disso sendo oprimidos com maldições da própria lei, entregues aos cativeiros, e debaixo das vinganças de Jeová. Depois de Cristo, quando os homens estavam mais civilizados, e nesse caso mais responsáveis, foi tirada a lei pela graça de Deus através de Jesus (Tt. 2:11; Rm. 6:14). Os homens, estando mais evoluídos hoje, estão debaixo das mesmas paixões, e todos debaixo da graça? É incoerente. A lei jamais produziu santos, mas produziu grandes e consagrados pecadores.

2.  A lei não fabrica justos. Depois de 1.500 anos debaixo da lei, o povo de Israel estava pior que quando saiu do Egito. Jesus lhes disse: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais duro Juízo” (Mt. 23:14). Todos aparentavam muita religiosidade por fora, mas por dentro a podridão da corrupção e do pecado (Mt. 23:25-27). A lei é uma forja de falsos religiosos segundo o próprio Cristo em suas parábolas. É claro que a lei só produz aparência de justiça. Os próprios sacerdotes, que eram os príncipes do povo judeu, condenaram a Jesus Cristo, e o mataram, segundo as palavras do apóstolo Paulo (At. 2:36; 3:14-15; 5:24-31). Uma coisa é certa. A lei, dada por Jeová no Monte Sinai, não fabrica justos (Rm. 3:10).

3.  A lei não aperfeiçoa o homem. “Se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei de Jeová), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse?” (Hb. 7:11). “A lei nenhuma coisa aperfeiçoou, desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus(Hb. 7:19). Em Cristo, o cristão chega a perfeição. “Até que todos cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, a medida da estatura completa de Cristo (Ef. 4:13). Se a perfeição do caráter só é alcançado em Jesus Cristo, e a lei produz as paixões dos pecados (Rm. 7:5), é possível que a lei seja o elemento endurecedor usado por Jeová para que os Judeus não cressem, e ao contrário, se tornassem inimigos de Jesus a ponto de crucificá-lo (Jo. 12:39-41).

4.  A lei, dada por Jeová no Sinai, não liberta ninguém das suas más inclinações e dos desejos inconfessáveis. A proibição não educa, mas reprime e represa os desejos que com o tempo se tornam incontroláveis. A lei leva os homens a condição de escravos, e não de livres. Paulo esclarece o assunto. “Dizei-me os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre por promessa. O que se entende por alegoria? Porque estes são os dois concertos; um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde a Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que  é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós (cristãos)” (Gl. 4:21-26). Os que são da lei tem outro espírito, que não é o de cristão. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: ABBA PAI” (Rm. 8:15). O espírito de adoção de filhos é o que produz liberdade (II Co. 3:17). Fica claro que o espírito da lei é contra o espírito de Cristo, pois Ismael era adversário de Isaque. Não parece que do mesmo Deus procedem os dois, que até hoje são adversários.

5.  A justiça de Deus não está na lei de Jeová, pois lemos na carta aos romanos: “Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou a lei da justiça. Por que? Porque não foi pela fé, ma como que pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço (Rm. 9:30-32). E Paulo continua: “Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para a sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que tem zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e querendo estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram a justiça de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm. 10:1-4). Paulo remata o assunto dizendo: “Ora, Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas” (Rm. 10:5). É a justiça da lei imposta por Jeová, como lemos em Lv. 18:5; Ez. 20:11, 13, 21; Sl. 71:3. O padrão de justiça de Jeová não corresponde ao estabelecido pelo Pai em Jesus Cristo.

6.  A lei só produz soberbos, e nunca humildes. Jesus contou uma parábola. É a história de um fariseu e um publicano. Todo o que guarda a lei, crê que é justo e despreza os outros (Lc. 18:9). Disse Jesus: “Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e outro publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo mesmo, desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de tudo quanto possuo.                                                                                             O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador! Digo-vos que este desceu justificado para a sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e  qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado(Lc. 18:10-14). Segundo o padrão de Jeová de Lv. 18:5; Ez. 20:11,13, 21; Sl. 71:3, o fariseu, que era honesto e fiel, sairia justificado do templo. Mas no Novo Testamento, guardar os preceitos da lei não tem valor salvífico. Paulo declara: “Se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” (Gl. 2:21). “Porque, se os que são da lei, são herdeiros, logo é vã a fé e a promessa é aniquilada (Rm. 4:14).

7.   O padrão de justificação usado por Jeová através da lei, é obstáculo para se chegar à justiça da fé, revelada por Paulo, e por isso mesmo  os sacerdotes e fariseus, a nata religiosa de Israel, crucificou a Jesus. Israel, até hoje, não aceita Jesus  como Messias verdadeiro, e espera em Jeová o que devia vir e não virá mais, pois o que ressuscitou não é o mesmo que morreu (Rm. 7:4; II Co. 5:16).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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