(376) – IMPRECAÇÃO

IMPRECAÇÃO

 

Que vem a ser imprecação? Amaldiçoar, pedir a deus pragas e males para quem se odeia. Todos os homens, segundo a Bíblia, se compõem de três partes: corpo, alma e espírito (I Ts. 5:23; Hb. 4:12). A alma é a parte irracional dos homens. Nisto são iguais aos animais, que também tem alma. Com respeito à alma, a natureza e o destino dos homens é o mesmo dos animais, isto é, todos são pó, e todos ao pó tornarão (Ec. 3:18-21).

A alma irracional tem movimentos ou paixões como os animais, a saber: Amor e ódio, medo ou coragem, covardia ou valor, tristeza e alegria, concupiscência ou aversão. O corpo físico é o campo onde florescem as paixões, e é também usado para satisfazê-las, pois a carne é sensitiva.

Os animais irracionais não têm espírito como os homens. Segundo a Bíblia, o espírito do homem é parte intelectiva ou o entendimento. No livro de Jó lemos: “Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-poderoso os fez entendidos” (Jó 32:8). No espírito está a razão, o raciocínio, a capacidade de discernir o certo do errado. Mais uma vez, no livro de Jó, lemos: “Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim” (Jó 20:3). Fala, agora, Salomão:“Retém as suas palavras o que possui o conhecimento, e o homem de entendimento é de precioso espírito” (Pv. 17:27). O espírito do homem está comprometido. Paulo diz: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef.2: 2-3). O espírito do homem, que é o entendimento do homem, não é livre para escolher entre o bem e o mal, isto é, não é apto para usar o livre arbítrio. Primeiro porque Jeová pôs o mundo no coração dos homens, e o mundo é mau (Ec. 3:11; Jo. 7:7). Em segundo lugar, porque colocando o mundo no coração dos homens, os colocou debaixo do príncipe das potestades do ar, que opera nos filhos da desobediência (Ef. 2:2-3). Em terceiro, o homem é escravo da carne por causa da lei de Jeová (Rm. 7:5; I Co. 15:56).

Falamos agora do espírito de Jeová: Este deus tem espírito de destruição, pois destruiu cento e duas pessoas com fogo do céu (II Rs. 1:9-12). Jesus afirma que esse espírito não é igual ao seu, e que não desceu do céu para destruir os homens, mas para salvá-los (Lc. 9:51-56). O espírito de Jeová é maléfico, pois fica forjando o mal para destruir os homens (Dt. 28:59-61; Jr. 18:10-11). Quem fica forjando o mal, acaba por fazê-lo, pois o homem é o que pensa, e Jeová também. Jeremias diz: “Fez Jeová o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antigüidade; derrubou e não se apiedou; exaltou o poder dos teus inimigos” (Lm. 2:17).

O mal predominava na mente e no espírito de Jeová: “Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem” (Jr. 21:10). “Eis que velarei sobre eles para mal, e não para bem” (Jr. 44:27). E o profeta Daniel disse: “Jeová vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo é Jeová, nosso deus, em todas as suas obras” (Dn. 9:14). O bem que Jeová promete, quando o homem peca, ele retira (Dt. 1:34-35).  E o mal que determina, não anula quando o homem, ou o seu povo, se convertem (Pv. 1:24-28).Está embutido no mal que Jeová faz, endurecer os corações para que não se convertam. O povo de Israel, que amava a Jeová, orava assim: “Por que, ó Jeová, nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Faze voltar, por amor dos teus servos, as tribos da tua herança” (Is. 63:17). Mas as tribos, endurecidas por Jeová, não voltaram até hoje, e as maldições pesam sobre elas. Além das maldições da lei, Jeová ainda tem as suas maldições particulares para destruir os homens. Vejamos: “Assim diz Jeová: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração de Jeová” (Jr. 17:5). “A maldição de Jeová habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos ele abençoará” (Pv. 3:33). “Maldito aquele que fizer a obra de Jeová fraudulentamente, e maldito aquele que preserva a sua espada do sangue” (Jr. 48:10). Neste caso, quando alguém recebe ordem para matar o infrator, e mediante propina não cumpre o seu dever. Outro texto diz: “Maldito seja o enganador que, tendo animal bom no seu rebanho, promete, e oferece a Jeová uma coisa vil, porque eu sou grande rei” (Ml. 1:14). Esse espírito amaldiçoador passa de Jeová para os seus melhores servos:

1.  “E era o varão Moisés muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm. 12:3).Mansa, é aquela pessoa que não se irrita e nem se ira. Moisés esteve quarenta dias no monte com Jeová, recebendo as leis e os estatutos. Quando desceu do monte, ao chegar no arraial, viu o bezerro de ouro, e o povo dançando freneticamente, acendeu-se o furor de Moisés, arremessou e quebrou as tábuas da lei. Esse furor foi o espírito de Jeová que entrou em Moisés (Ex. 32:19).

2.  Saul era um jovem tão tímido, que depois de ser ungido rei de Israel por Samuel, foi procurado, e não foi achado, pois estava escondido entre a bagagem, porém, quando o espírito de Jeová entrou em Saul, ele se encheu de ira (I Sm. 10:22; 11:6).

3.  Josué era homem fiel, e de grande valor, e foi escolhido por Jeová para suceder Moisés na conquista de Canaã. Quando a cidade de Jericó foi destruída e queimada, Josué clamou, dizendo: “Maldito seja diante de Jeová, o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó. Perdendo o seu primogênito a fundará, e sobre o seu filho mais novo lhe porá as portas” (Js. 6:26). Esta maldição se cumpriu em I Rs. 16:34. É impossível que quem crê num deus que lança maldições, não imite o seu deus amaldiçoando também.

4.  O rei Acazias enviou um capitão com cinqüenta soldados para buscar Elias, o tisbita. O capitão achou Elias, e ordenou dizendo: “Homem de deus, o rei diz: Desce”. Elias respondeu: “Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti, e aos teus cinqüenta”. E desceu fogo do céu, e os consumiu, pois Jeová honra as imprecações lançadas pelos seus queridos. O rei mandou outro capitão com mais cinqüenta, e o episódio se repetiu. Morreram cento e duas pessoas inocentes (II Rs. 1:9-12). Jesus reprovou o fato e disse que aquele espírito era diferente do seu (Lc. 9:51-56).

5.  Eliseu, o profeta sucessor de Elias, lançava terríveis maldições. Na primeira, amaldiçoou quarenta e dois meninos porque o chamaram de careca. A maldição foi tão forte, que duas ursas saíram do mato e os mataram (II Rs. 2:23-24). Depois, Geazi, seu servo, foi atrás do rico presente de Naamã, que fora curado da lepra. Eliseu se irou e disse: “Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua semente para sempre. Então saiu diante dele leproso” (II Rs. 5:21-27).

6.  Jeremias sofreu e chorou muito nas mãos dos falsos profetas e dos príncipes de Judá, e por isso lançou a seguinte maldição: “Entrega seus filhos à fome, entrega-os ao poder da espada, e sejam suas mulheres roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; e seus maridos sejam feridos de morte, e os seus mancebos feridos à espada na peleja. Ouça-se o clamor de suas casas, quando trouxeres esquadrões sobre eles de repente. Porquanto cavaram uma cova para prender-me e armaram laços aos meus pés” (Jr. 18:21-22).Jeremias certamente ficou orgulhoso de fazer o que Jeová fazia todos os dias.

7.  Falta um: Davi, o amado de Jeová, que tinha um coração igual ao de Jeová, e executava a vontade de Jeová (At. 13:22). Joabe, por vingança, matou Abner à traição, e Davi lançou a seguinte maldição: “Fique-se sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai, e nunca na casa de Joabe falte quem tenha fluxo, nem quem seja leproso, nem quem se atenha ao bordão, nem quem caia à espada, nem quem necessite de pão” (II Sm. 3:27-29). Muitos cristãos imitam Eliseu, Jeremias e Davi, pois são de Jeová. 

Só que Paulo, cheio do Espírito Santo do Pai, disse: “Abençoai quem vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis” (Rm. 12:14). Os que seguem a Cristo, agem diferente dos que seguem a Jeová, pois este é o deus da ira e da vingança, e Jesus é o Deus do amor e do perdão.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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