(282) – MANANCIAL – IV

MANANCIAL 4

 

Existem muitos textos no Velho Testamento de difícil compreensão. Jeová condenou seu povo Israel porque deviam praticar o bem e praticavam o mal. Jeová fala por alegorias, e comparou Israel com uma videira; e sobre a sua videira falou Jeová: “Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel: como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, de vide estranha? Pelo que, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniqüidade estará gravada diante de mim, diz o senhor Jeová” (Jr. 2:21-22). Com estas palavras Jeová está dizendo que uma árvore boa não pode produzir frutos maus  (Mt. 7:16-20). A segunda coisa que Jeová está dizendo, é que, o povo que ele criou no Egito era fiel e não podia degenerar (Jr. 2:21). A terceira coisa incluída no contexto, é que Jeová não aceita quem, devendo produzir o bem, produz o mal (Is. 43:7). A respeito da sua vinha Jeová declarou:“O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. E a cercou, e a limpou das pedras, a  plantou de excelentes vides, e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas, mas deu uvas bravas. Agora pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai-vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer a minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas, veio a produzir uvas bravas?(Is. 5:1-4). O que é de espantar é que, sendo Jeová deus e criador de todas as plantas boas e más, se enganasse ao plantar a sua videira, e pensando plantar uma boa videira, plantou uma parreira brava. E se foi assim, por que a destruiu? A culpa não foi da parreira! Mas o texto sagrado continua: “Agora pois vos farei saber o que hei de fazer a minha vinha; tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada nem cavada, mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha de Jeová dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias; e esperou que exercesse Juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor” (Is. 5: 5-7). Jesus disse: “Toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons” (Mt. 7:17-18). Se Jeová não se enganasse, e tivesse plantado uma boa videira, teria colhido frutos bons. Assim, não adianta fustigar e pisar a parreira brava.

Jeová não aceita que uma árvore má de frutos maus. É incrível isso, mas é o que está escrito. Muito pior para Jeová, seria uma árvore boa dando maus frutos. A oliveira é uma árvore boa, pois produz o precioso azeite. E Jeová disse pela boca de Jeremias: “Denominou-te Jeová oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos; mas agora, à voz de um grande tumulto, acendeu fogo ao redor dela, e se quebrantaram os seus ramos. Porque Jeová dos Exércitos, que te plantou pronunciou o mal contra ti, pela maldade da casa de Judá, que para si mesmos fizeram, pois me provocaram a ira, queimando incenso a Baal” (Jr. 11:16-17). No primeiro caso Jeová plantou uma parreira brava, e esperava o impossível, isto é, que desse uvas boas; no segundo caso Jeová plantou uma oliveira boa, e não esperava que desse fruto mau. Nos dois casos se enganou, e destruiu a videira e a oliveira. No caso da oliveira, é incrível que desse fruto bom e mau, coisa que Jeová não aprova, pois que é abominável aos seus olhos.

     Jeová, tão exigente com o seu povo, que não aceita que o bom dê mau fruto; e quer que o mau dê fruto bom, ele mesmo dá os dois tipos de frutos. Jeová é um manancial de água doce e água amargosa. Doce para uns, e amargosa para outros.

1- Salomão disse: O ouvido que ouve, e o olho que vê, a ambos fez Jeová” (Pv. 20:12). Mas Jeová disse a Isaías: “Engorda o coração deste povo, e endurece-lhes os ouvidos, e fecha-lhes os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o coração, e a converter-se, e a ser sarado” (Is. 6:10).

2. Referindo-se ao profeta Jeremias, que disse a respeito de Jeová: “Eis que, como o vaso na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr. 18:6). Paulo falou: “Mas, ó homem, quem és tu, que a deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” Incrível, mas Jeová é uma árvore que produz frutos bons e frutos maus, e é também uma fonte que produz água doce e água amarga.

3- No livro dos provérbios lemos: “O rico e o pobre se encontrara; a todos fez Jeová” (Pv. 22:2). Os únicos que conseguem explicar este fenômeno são os espíritas, que afirmam que as misérias da vida atual são conseqüências dos males praticados em vidas passadas. A luz da razão, tal discriminação não obedece a nenhum princípio lógico.

4- Jeová é quem alegra o coração dos homens. Diz o salmista Davi: “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu mosto” (Sl. 4:7). Neemias, copeiro de Artaxerxes, rei da Pérsia, que foi para Jerusalém reparar os muros junto com Esdras, o escriba e os levitas, disseram ao povo judeu: “Ide, comei as gorduras e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não tem nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, porque a alegria de Jeová é a nossa força” (Nm. 8:10). Mas Jeová é também, o deus que amargura as almas dos justos. Noemi, uma boa mulher do tempo dos Juizes, assim chamou: “Chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo Poderoso” (Rt. 1:20). E Jó, o homem mais justo, fiel, e sincero que havia na terra, assim declarou: “A minha alma tem tédio; darei livre curso a minha queixa, falarei na amargura da minha alma. Direi a Jeová: Não me condenes; faze-me saber porque contendes comigo. Parece-te bem que me oprimas?” (Jó 10:1-3). E Jó termina dizendo: “Vive deus, que desviou a minha causa, e o Todo Poderoso que amargurou a minha alma” (Jó 27:2). Ai dos crentes!

5. Sobre as mulheres, Salomão diz: “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência de Jeová” (Pv. 18:22). E continua dizendo: “A casa e a fazenda são a herança dos pais, mas de Jeová vem a mulher prudente” (Pv. 19:14). Por outro lado, Salomão declara: “Cova profunda é a boca das mulheres estranhas; aquele contra quem Jeová se irar, cairá nela” (Pv. 22:14). E o grande sábio desabafa, desiludido, e dizendo: “Eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são ataduras; quem for bom diante de Jeová escapará dela, mas o pecador virá a ser preso por ela” (Ec. 7:26). De Jeová sai o bem e o mal (Lm. 3:38).

E assim como o povo de Israel pediu pão e água, e Jeová deu, e com o pão deu a morte, assim também, Salomão pediu sabedoria e Jeová deu, e com a sabedoria lhe deu mil mulheres más e loucas, que o mataram espiritualmente (Sl. 78:23-31; I Rs. 3:9-12).

 

Pastor: Olavo Silveira Pereira

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