(260) – A VINHA DE JEOVÁ

A VINHA DE JEOVÁ

Dt. 32:32-34

No livro do profeta Ezequiel lemos: “E veio a mim a palavra de Jeová, dizendo: Filho do homem, que mais é o pau da videira que qualquer outro, o sarmento que está entre as árvores do bosque? Toma-se dele madeira para fazer alguma obra? Ou toma-se dele alguma estaca, para se pendurar algum traste? Eis que é lançado no fogo para ser consumido; ambas as suas extremidades consome o fogo, e o meio dela fica também queimado, serviria, pois, para alguma obra? Ora, se estando inteiro, não servia para obra alguma, quanto menos sendo consumido pelo fogo, se faria dele qualquer obra? Portanto, assim diz Jeová: Como a videira entre as árvores do bosque, que tenho entregado ao fogo para que seja consumida, assim entregarei os filhos de Jerusalém. Porei a minha face contra eles; eles sairão do fogo, mas o fogo os consumirá; e sabereis que eu sou Jeová, quando tiver posto a minha face contra eles. E tornarei a terra em assolação, porquanto grandemente prevaricaram, diz Jeová” (Ez. 15:1-8). Agora vai falar o profeta Jeremias falando da parte de Jeová: “Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como pois te tornaste para mim uma planta degenerada, de vide estranha?” (Jr. 2:21).  O profeta Isaías, profetizou o mesmo 135 anos antes: “Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro fértil. E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides, e edificou no meio dela uma torre, e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas, mas deu uvas bravas. Agora pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não tenha feito? E como esperando eu que desse uvas, veio  a produzir uvas bravas? Agora pois vos farei saber o que eu hei de fazer a minha vinha; tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada. E a tornarei em deserto; não será podada nem cavada, mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha de Jeová dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá  são planta das suas delícias; e esperou que exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor” (Is. 5:1-7).Agora fala Oséias, o profeta: “Israel é uma vide frondosa, dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, assim multiplicou altares” (Os. 10:1).

         Jeová, entretanto, declara, que Israel é a massa mole nas suas mãos, e dá a forma que quer na massa. Ele disse: “Como o vaso, que o oleiro fazia de barro, se quebrou na sua mão, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer” (Jr. 18:4). “Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr. 18:6). O apóstolo Paulo explica com clareza o plano de Jeová: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se deus (Jeová), querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos de ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para a glória já dantes preparou” (Rom. 9:21-23).

         Estes textos nos levam a concluir que Israel é o vaso de ira, preparado para a perdição por Jeová, o oleiro. Eles foram desobedientes porque Jeová os fez assim. Como aconteceu isso? Jacó e a sua casa, foram levados para o Egito, e lá, por 400 anos se corromperam. Corrompendo-se, eram barro na mão do oleiro. Eles se corromperam moralmente e espiritualmente. Enquanto Moisés estava no Monte Sinai, recebendo as tábuas da lei, o povo pediu para Arão fundir um bezerro de ouro, cópia fiel do boi Apis, deus dos egípcios. Jeová compara as obras más dos egípcios com as obras más dos cananeus (Lev. 18:3). Jeová declarou, pela boca do profeta Isaías, que Israel era prevaricador desde o ventre. O ventre onde Israel foi gerado e formado foi o Egito. E Jeová sabia desse fato, e ainda proclama. É óbvio que não queria um povo fiel, pois o formou entre os infiéis. E depois de introduzir Israel em Canaã, deixou lá sete povos para corrompê-los. “Estas, pois, são as nações que Jeová deixou ficar, para por elas provar a Israel, a saber: cinco príncipes dos filisteus, e todos os cananeus, e sidônios, e heveus, que habitavam nas montanhas do Líbano” (Jz. 3:1-3). “Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus, dos heteus e amorreus, e perizeus, e heveus, e jebuseus, tomaram de suas filhas para seus filhos, por mulheres, e deram aos filhos deles as suas filhas, e serviram aos seus deuses” (Jz. 3:5-6). É preciso não esquecer que os cananeus eram todos sodomitas (as cidades de Sodoma e Gomorra eram cananéias) (Gn. 10:19-21).  A corrupção do povo de Israel começou no Egito, e foi consolidada em Canaã. Como o convívio com aquelas nações talvez não fosse suficiente, Jeová os entregava como escravos, para que ninguém escapasse. Foram oito anos de servidão na mão de Cusã Risataim, rei da Mesopotâmia (Jz. 3:8). Depois os entregou na mão de Eglom, rei dos moabitas por dezoito anos (Jz. 3:14). Vinte anos na mão de Jabim, rei de Canaã (Jz. 4:2-3). Sete anos na mão dos midianitas (Jz. 6:1). Dezoito anos na mão dos filisteus e dos amonitas (Jz. 10:7-8). Novamente Jeová os entregou na mão dos filisteus por quarenta anos (Jz. 13:1). Foram perto de 120 anos de diversos cativeiros. Os escravos eram submetidos a todas as humilhações. As mulheres e as virgens eram abusadas. Jeremias nos dá uma leve idéia desses jugos.“Servos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão (Lm. 5:8). Nossa pele se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. Forçaram as mulheres de Sião, as virgens nas cidades de Jud. (Lm. 5:10-11). Os príncipes foram enforcados. Aos mancebos obrigam a moer (Lm. 5:12-13). No final dos 348 anos do livro dos Juízes, o povo de Israel passou a viver como os sodomitas, pois o oleiro assim quis. No final deste livro, capítulos 18 a 20, lemos a história de um levita, que peregrinava na terra de Efraim com sua concubina. Depois foi a Gibeá, na terra de Benjamim (Jz. 19:1). Não conhecendo ninguém, assentou-se na praça com sua concubina. Apareceu um velho que voltava do trabalho, e compadecido convidou o levita e sua concubina a dormir em sua casa. Uns homens de belial, benjamitas, bateram à porta do velho, e disseram. Tira para fora esse homem para que abusemos dele, todos em Gibeá eram sodomitas. E por que? Porque o oleiro os colocou na mão dos sodomitas pelo espaço de 120 anos, como escravos submetidos totalmente. Nunca mais os israelitas deixaram os costumes de Sodoma. O próprio Jeová chama de Sodoma a Israel, e Gomorra a Jerusalém. (A história do levita está em Jz. 19:14-25; 20:1-5). Quatrocentos anos mais tarde, Isaías falou da parte de Jeová, dizendo: “Ouvi a palavra de Jeová, vós príncipes de Sodoma, prestai ouvidos à lei do nosso deus, vós, povo de Gomorra” (Is. 1:10). Ezequiel, o profeta, também se refere aos dois reinos como Sodoma e Gomorra (Ez. 16:44-56).

Duas coisas não têm explicação. A primeira é que Jeová afirmou que guardava a sua vinha, e isso não aconteceu. “Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto; cantai-lhe. Eu, Jeová, a guardo, e a cada momento a regarei, para que ninguém lhe faça dano; de noite e de dia a guardarei” (Is. 27:2-3). A segunda é que Jeová afirma ser o oleiro, e Israel o barro. Foi Jeová que os fez maus. Cegou-os para não entender; endureceu seu coração para não se converterem, tapou os ouvidos para não ouvirem (Is. 6:10; Jo. 12:37-41). Mas uma coisa é clara no Novo Testamento. O Deus Pai de Jesus, quer que todos se salvem(I Tm. 2:3-4). E salva a todos (I Tm. 4:10).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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