(355) – A BÊNÇÃO

A   BÊNÇÃO

            Existem nas Escrituras Sagradas dois testamentos. O Velho Testamento compõe-se de trinta e nove livros na Bíblia evangélica, e quarenta e seis na Bíblia católica romana. O Novo Testamento compõe-se de vinte e sete livros, na Bíblia católica e na evangélica. O Velho Testamento foi feito com o povo hebreu, por Jeová. O Novo Testamento foi feito com a Igreja, por Deus, o Pai. O mediador entre Jeová e o povo hebreu foi Moisés (Ex.33:11-12; Gl.3:19); e o mediador entre Deus, o Pai, e os homens é Jesus Cristo (I Tm.2:5). O Concerto do Velho Testamento tinha como base a lei de Jeová, e os sacrifícios de bezerros, carneiros, bodes, pombos e ovelhas. O Concerto do Novo Testamento tem como base a graça de Deus para todos (Tt.2:11), e o sacrifício de Cristo para expiar os pecados dos que crêem (Gl.1:4).

Cada testamento tem uma herança. Pelo de Jeová, a herança era a terra de Canaã, onde o povo iria repousar das guerras, da escravidão e da fome, por isso Canaã era uma terra que manava leite e mel, e terra de fartura. A herança dos santos da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, não é na terra, mas no céu. É um reino celestial com a glória de Deus (II Tm.4:18; I Pd.1:3-4).

A diferença gritante entre os dois testamentos, é que, não é mencionada nenhuma herança celestial para os do Velho Testamento, e no Novo Testamento, a herança é toda nos lugares celestiais, e os da fé são chamados peregrinos e forasteiros neste mundo. O texto sagrado diz: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade” (Hb.11:13-16). O próprio Abraão rejeitou a herança do Velho Testamento, feita por Jeová, para ficar com a herança de Jesus Cristo, pois foi o primeiro a ouvir o Evangelho, isto é, as boas novas. O texto diz: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que haveria de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé habitou na terra da promessa (de Jeová – Gn.17:8), como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb. 11:8-10).

Jesus assim se refere aos dois testamentos“A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele” (Lc.16:16). Se duraram até João, extinguiram-se.

As promessas do reino de Deus não estão no Velho Testamento. É cômico ver milhares ou milhões de cristãos, presos ao Velho Testamento, e querendo demonstrar que há profecias que ainda vão se cumprir. Se Jesus falou que acabou em João Batista, vamos nós desdizer o que Jesus falou?

Outra diferença espantosa entre os dois testamentos, é que, no Velho Testamento, quem morriam eram os herdeiros, e não o dono da herança, isto é, Jeová. No Novo Testamento morre o testador, e os herdeiros entram na posse da herança imediatamente. O texto diz: “Jesus é o Mediador dum novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hb.9:15-17).

No concerto da lei de Jeová, a própria lei anula a herança, pois pela lei é imputado o pecado, e alma que peca morre (Ez.18:4). Morrendo perde a herança para outro. A herança de Jeová é uma ilusão. Entendemos porque a bênção passa de pai para filho, no Velho Testamento. Abraão recebeu a bênção de Jeová, e abençoou a Isaque, e Isaque abençoou a Jacó (Gn.27:26-29)A bênção garantia os favores de Jeová. O texto diz: “Assim te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto; sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos os que te abençoarem” (Gn.27:28-29). A bênção de Jeová, que passa de pai para filho, visa bens terrenos, prole, poder sobre outros.

A bênção do Pai, que Jesus nos dá, Paulo descreve: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef.1:3). A bênção do Novo Testamento não é hereditária. Só recebe quem crê e Jesus, e o segue de perto.

Há grande diferença entre as duas bênçãos. As de Jeová só são terrenas e materiais. Foi o que lemos em Gn.27:26-29. As bênçãos de Jeová não incluem as celestiais. De igual forma, as bênçãos celestiais não incluem as terrenas. É fácil provar isso. Jeová é o deus do ouro e da prata (Ag.2:8). E Salomão diz“A bênção de Jeová é que enriquece, e não acrescenta dores” (Pv.10:22). Jeová dá tanto valor ao ouro e a prata que saqueava as nações vencidas na guerra. Quando Israel destruiu Jericó, ele ordenou, dizendo: “Porém toda a prata, e o ouro, e os vasos de metal, e de ferro, são consagrados a Jeová; irão ao tesouro de Jeová” (Js.6:19). Jeová enriqueceu Davi (I Cr.29:28).Deu também a Salomão riqueza e glória (I Rs.3:13). Deu riqueza e glória a Ezequias (II Cr.32:27). E pasmem. Foi Jeová quem deu poder, majestade, e glória a Nabucodonosor (Dn.5:18). Um rei ímpio, cruel e soberbo. E Jeová submeteu todos os povos a seus pés, sob pena de maldição (Jr.27:1-8). E Jesus proíbe ajuntar tesouros (Mt.6:19-21). Aos que o tem, ordena que apliquem em caridade para os pobres (Mt.19:16-21).

Jesus ordenou também a João e Tiago, que não buscassem glória e poder (Mc.10:37; 42-45).São dois reinos. O de Jeová é terreno, e o de Jesus é celestial. É claro que os valores são também diferentes. O ouro do reino de Jesus é a caridade, por isso disse ao moço rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” (Mt.19:21).

A diferença entre as duas bênçãos é gritante:

1- A bênção de Jeová era para o homem fiel à lei, e à sua descendência carnal (Sl.128).

S A bênção do Pai é para a descendência espiritual de Jesus (Hb.2:9-10; Rm.8:29; Ef.4:13).  

2- A bênção de Jeová é para os deste mundo (Ec.2:24-25; 3:11; 5:18-19; 8:15; 9:9).

S A bênção do Pai é para os que não são deste mundo (Rm.15:29; Cl.3:1-3; Ef.1:3-4).

3- Os dons de Deus Pai são sem arrependimento, e incluem a bênção (Rm.11:29).

S  A bênção de Jeová pode ser roubada diante de seus olhos (Gn.27:6-19). Se alguém reprovar o argumento, leia Dt.21:15-17, onde Jeová determina que a bênção do primogênito não pode passar a outro.

4- Por último, o profeta Malaquias declara que a bênção de Jeová pode ser transformada em maldição:“Sacerdotes, este mandamento vos toca a vós. Se o não ouvirdes, e se não propuserdes em vosso coração dar honra ao meu nome, diz Jeová dos exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado, porque vós não pondes isso no coração” (Ml.2:1-2).

Quem quiser uma bênção que pode ser amaldiçoada, fique com a bênção de Jeová, que afirma que não há homem que não peque, e claro, pecando, herda a maldição em lugar de bênção (Ec.7:20; I Rs.8:46).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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