(367) – CONVERSÃO DE SAULO

CONVERSÃO DE SAULO

                Saulo de Tarso, foi circuncidado ao oitavo dia, era da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei foi fariseu, segundo o zelo, perseguidor da Igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fp. 3:5-6). Saulo era, portanto, fiel a Jeová, o deus de Israel e autor da lei(Is. 51:7). Os príncipes e sacerdotes do templo condenaram Jesus a morte como impostor (Mt. 26:63-68). Saulo, judeu de grande projeção, fiel a Jeová e à lei, foi constituído pelos sacerdotes para perseguir e matar os seguidores do falso Messias, que crescia em número. A história foi assim: Estevão, o primeiro mártir, foi apedrejado diante de Saulo, que estava cheio de ira (At. 7:58-59). E Saulo, respirando ameaças e mortes contra os discípulos de Jesus, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para meter na prisão os membros daquela seita (At. 9:1-2, 22:4-5). E Saulo declara que fazia isso como zelador de Jeová (At. 22:3). Saulo, o crente em Jeová, perseguia e matava os crentes em Jesus.

Quando Saulo ia para Damasco, Jesus lhe apareceu num resplendor de luz, e disse-lhe: Saulo, Saulo, por quê me persegues? Saulo perguntou, caído do cavalo: Quem és Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus a quem tu persegues. E Paulo, convertido, disse: Senhor, que queres que eu faça? Dissemos Paulo, porque seu nome foi trocado de Saulo para Paulo. Saulo vem de Shaul (que significa sepultura). Paulo significa pequeno, pois ele se julgava o menor dos apóstolos. Logo após a conversão, Paulo abandonou todo o sistema religioso de Jeová. Para Paulo, agora, o sábado era uma sombra, e sombra não tem forma real (Cl. 2:16-17). O texto diz que o sábado é sombra de coisa futura. O descanso real do povo peregrinando no deserto, era Canaã. O sábado era uma sombra desse descanso. O povo nunca chegou nesse descanso até hoje.

Paulo falou que o sábado é sombra de coisa futura, isto é, do reino glorioso do Messias, que nunca aconteceu. Cristo é o corpo porque é real. Paulo, então, pertencendo a Cristo, se voltou contra o judaísmo, contra a lei, e contra Jeová; contra o Velho Testamento, e contra Moisés, o mediador de Jeová; contra a circuncisão. Vejamos:

1) Paulo, que segundo a lei, foi fariseu, depois de convertido pregava contra a lei de Jeová. Os judeus testemunharam isso, dizendo: “E já acerca de ti foram informados de que ensinavas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos nem andar segundo o costume da lei” (At. 21:21). Mais tarde, viram-no no templo, e o prenderam, clamando: “Varões israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar” (At. 21:27-28).

2) A circuncisão é a base da religião judaica juntamente com o sábado. E Paulo fez as seguintes declarações: “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera por caridade” (Gl. 5:6). E mais à frente diz: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão e nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6:15). E para Jeová, quem não fosse circuncidado, morria (Gn. 17:10-14). Isto era um concerto perpétuo (Gn. 17:13). Paulo anulou o concerto de Jeová, o que prova que os de Cristo tem de deixar Jeová.

3) Paulo, no judaísmo estava cego, e após a conversão a Cristo, os seus olhos se abriram (At. 9:8-18).Ele adorava a Jeová como o deus que deu a lei (Dt. 4:10-14, 5:22-24). Quando seus olhos se abriram, percebeu que a lei foi dada pelos anjos e não por Deus. Ele disse: “Para que a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa havia sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro” (Moisés – Gl. 3:19). Estevão declara o mesmo em At. 7:53. Ora, foi Jeová que deu a lei, logo Jeová é, também, anjo. E Paulo, ousadamente, afirma que os cristãos vão julgar os anjos, logo vão julgar também a Jeová! (I Co. 6:2-3).

4) Paulo, que era tão fiel à lei de Jeová, mudou tanto com a conversão a Cristo, que declarou em alto e bom som, que quem guarda a lei divorcia de Cristo: “Estai pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que  vos justificais pela lei: da graça tendes caído” (Gl. 5:1-4). Primeiro fala que Cristo libertou da lei, logo a lei só faz escravos. Depois compara a lei a ‘jugo e servidão’. Pedro declara o mesmo em At. 15:5-10. Ir contra a lei de Jeová é rebelião. Pois Paulo se rebelou contra Jeová.

5) Jeová, o oleiro, fez dois vasos. Um para honra e outro para desonra. Um para a salvação, e outro para a perdição (Rm. 9:21-22). E Paulo declara que os vasos de honra, que guardavam a lei nos mínimos detalhes, não alcançaram a justiça de Deus porque tropeçaram em Jesus Cristo (Rm. 9:30-3).

6) Paulo declara também que Cristo lhe deu ousadia para ser ministro do Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata mas o Espírito vivifica (II Co. 3:4-6). Nesta declaração Paulo revela que não é ministro da lei, pois a lei mata, e o Espírito vivifica. O Paulo, que, quando era de Jeová era fariseu da lei (Fp. 3:5), agora, pertencendo a Jesus, não é mais ministro da lei.

7) “E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o ministério do Espírito?” (II Co. 3:7-8). Paulo descobriu que o ministério dado por Jeová a Moisés, era o ministério da morte. É chamado ministério da morte porque toda vez que alguém errava ou pecava, morria (Ex. 32:25-29; Lv. 10:1-2; 20:10-11; 21:9; Nm.11:1; 14:28-29, 37; 16:30-33, 35 e 49; 25:9, etc.). E está dito que veio em glória porque o rosto de Moisés brilhava. Glória transitória.

8) Paulo chamou o ministério do Velho Testamento de ministério de condenação (II Co. 3:9). E por quê? Porque condenava o culpado. A glória da lei é condenar o criminoso. Nessa hora Paulo encontra alguma dificuldade para explicar. Ele diz: “Porque o que foi glorificado nessa parte não foi glorificado, por causa da excelente glória” (II Co. 3:10). Ora, todas as nações com suas leis humanas, sempre condenaram os culpados. A verdadeira glória, que não é transitória, mas permanente e eterna, está em recuperar o culpado, e não em condenar e matar como fazia a lei de Jeová. A grande obra de Jesus, que acabou com a lei, foi salvar ladrões, prostitutas, efeminados e sodomitas, homicidas e corruptos, fazendo deles pessoas tão santas e boas como o próprio Jesus. Esta glória é glória (Ef. 4:13).

9) Ao declarar que os cristãos não são ministros do Velho Testamento, e nem da lei do velho concerto, Paulo se coloca contra Jeová, o autor do mesmo (II Co. 3:6-7).

10) O apóstolo estava tão seguro do que ensinava, que declarou que Cristo aboliu o Velho Testamento. O texto diz: “E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. Mas os seus sentidos foram endurecidos. Porque até hoje o mesmo véu está por se levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (II Co. 3:13-14).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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